Essa brincadeira já é o suficiente para chocar os mais sensíveis. Podem achar absurdo uma pessoa torcer para que coisas ruins aconteçam só para ter o que publicar em um jornal. Jornalistas não são chamados de abutres ou urubus à toa. Até aí tudo bem. Imagine então a minha surpresa ao ver a reportagem do Jornal da Globo de ontem, em que uma jornalista aparentemente tem ligações com criminosos, ao ponto de repassar informações sobre operações policiais em troca de notícias em primeira mão. Pior, reclamar dos meliantes a falta de assassinatos. Abaixo, uma frase da repórter extraída de uma gravação telefônica com um traficante, reclamando da “ineficiência” do bandido.
- Faz dias que não dá homicídio, a cidade tá muito parada!
Não acredita?
Hoje não exerço essa profissão porque me sinto muito mais vocacionado para o serviço policial. Contudo, ainda me interesso bastante pelo trabalho jornalístico. Admiro e reconheço as boas reportagens, especialmente as que são sobre polícia, como também sinto desprezo pelo sensacionalismo barato ou o jornalismo preguiçoso. Falar mal só porque vende é rasteiro, divulgar fatos sem confirmar a veracidade é irresponsável. Infelizmente isso é comum na imprensa. Mas o caso acima para mim é novidade. Ela foi além da criação de uma notícia e - dada à sua mediocridade – provavelmente esses serão os maiores momentos de sua carreira. Assim espero!



{ 1 trackback }