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Como surgiu a continência militar?

by Flávio Henrique on 21/12/2010

Quem és tu?

O militarismo tem algumas peculiaridades e sem dúvidas, além do fascínio pelas armas e fardas, uma das coisas que mais chama a atenção é a maneira que os militares se cumprimentam. A famosa continência militar. Mas afinal, qual é a origem da continência militar?

Tudo começou na Idade Média quando os cavaleiros, antes de participarem de duelos ou irem para os confrontos trajando suas robustas armaduras, cumprimentavam o rei. Como eles utilizavam o Elmo, uma espécie de capacete medieval, precisavam levantar a viseira para que a majestade olhasse seus rostos. Um sinal de respeito ao soberano. Além disso, esse movimento deveria ser feito com a mão direita, já que era a mão que empunhava a espada. De certa maneira, um gesto simbólico de paz, uma vez que a mão desarmada dificilmente seria utilizada para uma ação hostil. Com o tempo esse ato foi se tornando cada vez mais comum e não apenas praticado diante dos reis mas também entre os demais integrantes do exército.

Apesar dessa reverência ser comum entre as organizações militares de todo o mundo, algumas forças tem ou tiveram maneiras particulares de realizar a continência. A Alemanha nazista, por exemplo, era famosa pelo vibrante “Heil, Hitler”, proferido enquanto o braço direito era estendido para o alto. Na Polícia Militar – ao contrário do que muita gente imagina – prestamos (nunca “batemos”) continência erguendo a mão direita até a altura da têmpora e não à frente da testa.

A iniciativa de prestar continência deve vir sempre da patente inferior e obrigatoriamente respondida pelo superior hierárquico. Talvez por isso – como em tudo na humanidade – algumas pessoas confundam esse nobre gesto com afirmação de superioridade ou mesmo para ratificar a condição “inferior” de seus comandados, originando inclusive um causo que compartilho com vocês agora.

O soldado desatento passou pelo capitão e não o cumprimentou da maneira correta. Imediatamente o oficial chamou a atenção aos berros do soldado e exigiu que ele lhe prestasse continência 50 vezes seguidas. Dessa maneira – acreditava o capitão – ele aprenderia a lição e não cometeria novamente esse ato de insubordinação.

E assim fez o soldado, seguidamente movimentando seu braço direito enquanto o capitão realizava a contagem.

Um pouco mais afastado, um coronel observava tranquilamente o desfecho cena. Ao final das 50 continências, é o coronel quem intervém:

- Capitão, vi que o soldado prestou 50 continências para o senhor. Pois bem, é seu dever retribuí-las.

Apesar de eu já conhecer a origem da continência, fiz uma rápida pesquisa para evitar equívocos. Por isso, é bom citar as referências encontradas pelo Google para essa postagem.

Mundo Estranho

Brasil Escola

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{ 10 comments… read them below or add one }

1 SD Felipe 21 December, 2010 at 7:34 PM

Tenho certeza com esse post você tirou muitas dúvidas dos civis que sempre falam que o militar bate continência.

2 Michele 22 December, 2010 at 8:49 AM

…Bui achei legal esse teu blog Guri :D
Bom fim de ano!

3 Daniel Ramos de Oliveira 22 December, 2010 at 10:10 AM

Muito bom o texto.Agora entendo o porque que “batem”(ou melhor prestam,juro que não sabia que esta era a forma correta) continência no meio militar.Realmente,um ótimo texto.
Abraços.
Daniel Ramos.

4 PoPa 23 December, 2010 at 5:18 AM

Tive uma rápida experiência militar, lá pelo final dos anos 60, quando cursei 30 dias de NPOR na minha cidade. Como tinha passado em um vestibular, não poderia ficar e consegui cair fora. Neste mês, passei uns 15 dias aprendendo os símbolos do exército e a teoria envolvendo a continência. Obrigado pela lembrança, que já estava empoeirada em um canto da memória. É importante este tipo de informação para que saibamos o por quê das coisas.

5 Herbert 26 December, 2010 at 4:30 PM

Olá Alexandre e Flávio!

Muito bom o blog de vocês. Principalmente pela criatividade em produzi-lo ocupando um espaço aberto na blogosfera.
Sempre que “descubro” um blog que gosto e passo a visitar faço um destaque dele na minha “Oficina de Gerencia”. O Diário está lá com o seu logotipo e o link para acesso. Sem nenhuma demanda de parceria, contrapartida ou algo semelhante. Faço isso por prazer de divulgar os trabalhos dos blogueiros que amam seus blogs. Voltarei aqui muitas vezes.
Se puderem, dêem uma passadinha por lá.
Grande abraço e parabéns.

6 Vander 8 January, 2011 at 10:37 AM

Muito interessante a expressao de respeito….

Seria bacana tb se colocasse a ordem de um soldado ate um general.
Digo patentes, e que precisa fazer pra ser tornar de soldado pra passar a cabo e assim indiante.

Obrig

7 Helio Soares Padilha 17 January, 2011 at 10:49 AM

Tenho notado que a continência é uma das coisas mais bonitas entre nós PM. Tanto mostra o respeito como a disciplina e a tradição nas corporaçlões militares.
Mas tenho notado tb que parece que éssa tradição está um pouco se apagando, já não sendo usado com tanta galhardia e é tanto apreciada pelos civis que é motivo de críticas em outras corporações não militares. Quando eu éra praça novo recebia com muito orgulho um grupo de crianças perto de minha casa que esperavam eu passar para me prestar continência. Eu num gesto de amor respondia um por um suas homenagens prestadas a briosa farda da PM.

8 ronaldograuna 20 March, 2011 at 4:02 PM

História e conhecimento sempre é bem vindo.
ATT
ronaldograuna@hotmail.com

9 Mandrake 15 April, 2011 at 10:41 AM

Conhecia essa história por cima, excelente post.
Este causo que tu contou é bem famoso, show de bola.

Excelente Blog.
Abraço

10 ralph 23 April, 2011 at 6:38 PM

CORONEL DANILO DO EXÉRCITO BRASILEIRO E HISTORIADOR MILITAR. NOS ENSINOU QUE A CONTINÊNCIA SURGIU PARA REFERENCIAR O EXLENDOR DE UMA RAINHA EUROPÉIA. QUANDO DO SEU SAIR DA SACADA DO CASTELO A POPULAÇÃO À PRESTAUA NO INTUÍTO DE REPRESENTAR, “COMO SE ELA FOSSE A LUZ DE UM SOL…”

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