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Jogos policiais, a realidade não é brincadeira

by Flávio Henrique on 24/05/2010

Qualquer pessoa que já tenha entrado em uma loja de jogos eletrônicos ou entrado em uma lan house deve ter percebido que os jogos policiais e de guerras são os mais famosos e jogados. O apelo que esses jogos causam nas pessoas, que podem “vivenciar” um dia de soldado ou de policial, é imenso. Quem nunca sonhou, quando criança, em se tornar um combatente da lei e sair pela cidade prendendo criminosos e combatendo o crime? Pois é: esses jogos revivem esse sonho de dentro da gente.

Porém, após uma década de gloriosos jogos, uma visão um bocado deturpada dessas profissões foi criada. Grande parte dos jovens de hoje, que desde criança estão acostumados a filmes policiais onde todo problema é resolvido com uma saraivada de tiros bem direcionada, pensa que todo o trabalho de um policial é esse: receber um aviso de um crime, ir até o local e sair atirando para todos os lados.

Mais utópica ainda, é a visão criada sobre os soldados e combatentes. Afinal, você já viu um jogo onde o jogador perde a guerra ou morre? Pois é. Nem eu. E, novamente, a visão de guerra é muito simplificada: o soldado se junta com meia dúzia de colega, pega umas duas ou três granadas e vai invadir uma base militar ultra-secreta. Não requer prática, nem tampouco habilidade!

Qualquer semelhança não é mera coincidência.

A maior prova que os filmes e jogos são um incrível formador de opinião em relação ao exército é o famoso jogo “American Army”, produzido pelo próprio Exército dos Estados Unidos e usado para recrutar jovens, mostrando-os uma imagem perfeita e irreal dos combatentes americanos. E isso é corroborado por várias pesquisas: um estudo feito pela NCJRS (Serviço de Referência Criminal dos EUA) mostra que a diferença de aprovação do serviço policial entre os jogadores e não jogadores de video-games é de quase 20%. Essa diferença é maior do que a criada por outros fatos, como o de já ter sido assaltado ou agredido. Ou seja: jogos influenciam mais a opinião individual do que a proteção real dos policiais.

Será que, daqui a alguns anos, será só lançar alguns jogos divertidos sobre policiais aqui no Brasil e todas as reclamações sobre a segurança pública vão acabar? É para onde estamos caminhando.  Pare e reflita de uma próxima vez. Dê mais valor ao policial que está aí ao seu lado, fazendo o dever dele de protetor público, ao invés de ficar bitolado em um amontoado de pixels que aparecem em seu computador, que tal?

Luiz Soares, criador do www.luizjogos.com

O texto acima foi enviado por um leitor e não implica necessariamente a opinião dos autores do Diário de um PM. A proposta é debater sobre até que ponto jogos podem influenciar na percepção das pessoas acerca da realidade, especialmente os simuladores de combate.

Quer seu artigo publicado aqui no Diário de um PM? Envie seu texto para o diariodeumpm@gmail.com que nós publicamos (desde que o conteúdo seja autoral, inédito e não possua conteúdo ofensivo ou ilegal).

Conheça alguns jogos de polícia online e grátis também no http://www.jogos.depolicia.com/.

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{ 9 comments… read them below or add one }

1 Leonardo Borba Crivaro 24 May, 2010 at 11:56 PM

A falha deste texto é que o autor parece ter esquecido que os jogos são apenas entretenimento. Não é vida real.

Na vida real, 90% das chamadas da SWAT são resolvidas sem um tiro sequer (fonte: http://pessoas.hsw.uol.com.br/grupos-swat4.htm), mas no jogo SWAT 4, todas as ocorrências policias acabam resultando em tiros e conflitos armados. Porque será? Simples, porque é mais atraente aos jogadores os 10% de chamadas que resultam em tiroteios do que os 90% de não-tiroteios.

Afinal de contas, imagine um jogo onde você passa a maior parte do tempo patrulhando uma cidade ou realizando trabalhos administrativos dentro do quartel, sem que aconteça nada? Ou que você tenha de ficar horas fazendo policiamento de trânsito? Não venderia nada e com razão, isto não é divertido. Correto, é parte do trabalho de um policial, mas não serve como parte principal de um jogo, no máximo, como pano de fundo, para dar coesão e contexto às coisas.

Claro que os jogos, como toda mídia de massa, tem seu viéis político. America’s Army não deixa mentir. Só que, quando o autor taxa de “utópico” o fato de meia dúzia de personagens invadir bases militares ultra-secretas, ele novamente esquece que não é vida real, é um jogo, entretenimento.

Talvez os 20% de diferença entre a aprovação de jogadores e não-jogadores diminuiria se a polícia fosse mais presente na formação das crianças e adolescentes nas escolas, como muitos praças e oficiais fazem de boa vontade (fonte: http://pessoas.hsw.uol.com.br/policia-militar7.htm). Não creio que seja uma obrigação da Polícia e nem do Corpo de Bombeiros estar presente nas escolas com este fim, mas talvez uma campanha de maior presença policial possa ajudar nesta questão.

Os jogos idealizam e higienizam a guerra? Sim. Mostram versões exageradas dos conflitos? Sim.

Mas são apenas jogos!

Afinal, a “experiência real” de um policial ou militar, ao meu ver, só é obtida fazendo parte da polícia ou das forças armadas – algo que nem todos podem e\ou querem fazer.

2 Addy 27 May, 2010 at 5:18 PM

Acho que você errou em dizer que em nenhum jogo policial, o personagem morre.No proprio jogo mais atualizado sobre policia/exercito “modern warfare 1 e o 2″ o personagem morre, de traição de seus parceiros, e na primeira edição do jogo, os personagens morrem por falha em combate.
E outros que não lembrei agora.

3 Rodrigo 4 June, 2010 at 11:46 AM

Parabens pelo blog!

Bem jogo é jogo, somente entretenimento, nao tem nada a ver com a vida real.
Eu como cidadão, respeito sim a policia, porem, a policia as vezes é preconceituosa e por isso a população fica desacreditada. Não acredito que a policia chegue atirando ( so se for em bairros pobres mas mesmo assim tenho duvidas) e muito menos a população exercendo a democaracia queira isto.Policia é pra se fazer a lei, atirar, assassinar é para mercenarios. Por isso descordo com o texto. Vejo a ROTA, sempre que eles fazem batidas, são super cuidadosos e respeitam as pessoas, mas nao entre em confronto, pq tem um ditado interno, ai sim, vale-se de usar das armas.

O que eu vejo que é hoje o maior problema a nivel nacional é a estrutura de premios, conforme artigo deste blog. O policial tem a familia dele, e, hoje eçe nao tem certeza de nada. Sou a favor da PEC 300 e que haja um piso minimo no salario desde o inicio na academia e que o governo libere financiamento para casa propria a juros modicos, para que os protetores da lei tenham uma vida digna, como a todos nós merecemos. Sou a favor de haver policia nas escolas, dando palestras, tirando duvidas e mostrar que o policial é um ser humano, como o pai de um garoto que assiste a tal palestra, mostrar que o errado é desrrespeitar a lei, a vida, a sociedade, que o bandido sim é errado e nao um exemplo a ser seguido, por isso o estado deve se fazer presente.
Vejo que as pessoas nas ruas sao mal educadas, apressadas e so pensam nelas mesmas, isso é um erro, e que vem sendo orquestrado por aqueles que dominam o dinheiro e a informação. O Brasil é rico e assim é seu povo, precisamos de politicos com senso e que olhem as pessoas e nao numeros, ou beneficios a si proprios ou que somente queiram o poder. Confronto entre PMs e Civis em SP foi horrivel e mostra que o SERRA nao tem o minimo interesse em harmonizar a segurança, somente em desaparelhar e deixar que o mercado tome conta da segurança publica, ele privatiza fazendo isso.

O que falta nas pessoas é amor, o mundo esta de cabeça para baixo, precisamos nos ajudar, pq o fim pode estar proximo para todos.

4 Leonardo Borba Crivaro 8 June, 2010 at 2:47 PM

Mas é isso mesmo Rodrigo.

Hoje em dia, ninguém quer se amar, quer é passar a perna nos outros.

Na verdade, NÃO passar a perna quando tem oportunidade faz as pessoas se sentirem mal consigo mesmas (“fui um otário”) e atrai o escárnio e a zombaria da sociedade porque foi “burro”.

Aí já viu né?

5 Tião Ferreira 8 June, 2010 at 3:06 PM

Tenho opiniões meio destoantes de algumas apresentadas anteriormente.

Primeiro, sou policial por profissão, e tudo quanto atinge o bem do serviço é de suma importância. Concordo com o que foi dito quanto à natureza do serviço policial e suas nuances.

No entanto, também sou desenvolvedor de jogos, e discordo do autor do tópico quando o mesmo afirma que os jogos influenciam as atitudes que as pessoas tomam no seu dia-a-dia. Ninguém EM SÃ CONSCIÊNCIA, sai repetindo o que vê em jogos, filmes, músicas ou outras formas de expressão artística/culturais.

Há contudo, que se ter cuidado, enquanto desenvolvedor, assim como qualquer outro produtor de cultura, com a responsabilidade social.

Atribuir a violência do mundo lá fora aos jogos é dar uma de fundamentalista.

Jogos como MARIO também mostram violência, quando o personagem TEM DE MATAR as tartaruguinhas, pisoteando suas cabeças, para poder progredir. E aí, alguém sai dando chutes nas pessoas porque viu em MARIO?

Não creio. A beligerância é inerente ao ser humano, uns demonstram mais, outros menos. Já participei de ocorrências complicadas, mas que foram resolvidas sem um único tiro, e também passei maus bocados, quando ocorrências simples foram transformadas num inferno de fogo e sangue.

Os jogos NÃO SÃO uma celebração da violência. Essa celebração (ou não) fica por conta de cada um.

6 Rodrigo K. 10 June, 2010 at 11:54 AM

Leonardo tudo bom?

Cara moro em Sao Paulo, aqui venho de moto a trabalhar, vc so ve absurdos na rua, o cidadao com carro pensa que é moto e quer passar no corredor, sai de 1 faixa para a outra sem sinalizar e repentinamente. Nao da. Sexta passada presenciei um acidente proposital rs. A moça vinha cortando todo mundo, fazendo zig zag, cortou 1 , 2 carros, no 3, o cara deixou ela passar (quase bateu nele) e depois ele acelerou!!! ao bater ele deu risadas e cruzou os braços rindo, eu vi tudo, fiquei pensando, se 1 cara desses da a loca, ele passa por cima de mim. Pelo que eu estudo e vejo no dia a dia, o que falta é educação, faltam bases de respeito nas pessoas, percebo que a unica coisa que tem valor é o dinheiro, ostentar e ta tudo errado. Temos que respeitar sempre as pessoas, saber diferenciar o certo do errado, so que é mais facil se esperto ne… isso acho que vem da nossa aculturação americana, tive a oportunidade de conhecer os EUA, Colombia e Mexico, eles tem os mesmos problemas que nos, de violencia, de pessoas que so enchergam seus umbigos. Ai que eu vejo que a policia poderia entrar nas escolas, empresas, como concientizadores. Eu tenho essa visao de policia, amiga, concientizadora, o policial seria a ultima milha do estado com a população, ele tomaria conta das pessoas, e claro, com salarios e jornadas serias de trabalho. Escola integral que poderia funcionar 24 hrs, de modo a alimentar as crianças, educar, preparar para a vida, e deixar os pais livres para estudar e trabalhar (porem nao fugir da obrigação pais), geraria empregos, satisfação da população, nao teriamos nossas crianças livres para o crime, isso sim resolveria os problemas sociais do Brasil que vem sendo injustiçado desde o descobrimento. No gov.federal atual melhorou , porem ha muito o que se fazer.Dai entra a internet e os blogs serios difundindo ideias, e sendo apartidario do que rola na grande imprensa (o PIG).

Temos sim dinheiro para isso, so faltam visao e vontade politica, a Dilma quer implementar a escola integral, sendo financiada pelos royalties do pre sal. O Serra mandou bater nos prof. aqui, que merecem sim aumento e plano de carreira, como as policias. Temos que nos organizar e lutar por isto, por um pais melhor, serio e justo.

Tião tudo bem?

Cara concordo com tudo que vc falou! Games é diversao, com filmes. A violencia vem das pessoas que estao frustradas, por causa de dinheiro, status, por se verem melhores que as outras, isso tudo, resume-se a berço, a educar essas pessoas. Um ponto, eu tenho 26 anos, e todos meus amigos que tinham video games, nao se envolveram com drogas ou com crime, morei ate os 24 anos perto de Heliopolis, estudei alguns anos em escola publica e posso afirmar, do pessoal mais pobre mesmo, os que tinham acesso a video game como diversao estao vivos e trabalhando e estudando, ja os outros se envolveram com pessoas erradas e estao mortos ou presos. FIco triste mesmo de ver nossa juventude assim.
E vc como policial sabe como é dificil e ter de lidar diariamente com este tipo de situação.
Bem fica a nos de bem lutar e informar as pessoas que convivemos sobre estes assuntos, pois somente assim poderemos mudar as coisas.

7 rodrigo antonio de assis 14 July, 2010 at 7:04 PM

quero jogar este jogo porque e legual

8 ronaldo ferreira 14 July, 2010 at 7:06 PM

quero jogar ete jogo
porque ele paresse interessante
e combate o crime

9 Loja Virtual dos Blogueiros 10 September, 2010 at 9:07 AM

o jogo é legal

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