Os soldados seguiam com suas vidas. Cada plantão que passava sem alteração contribuía para o esquecimento das ameaças e periculosidade de quem eles vigiavam. Já não lembravam que há alguns dias tiveram bastante trabalho e sequer se importavam em cumprir suas tarefas sozinhos. Situação comum em delegacias de pequeno porte. Até que numa madrugada aconteceu o inesperado, embora anterioremente anunciado.
Uma jovem loira bate na porta da delegacia aos berros pedindo por socorro. As pancadas na porta e os gritos da moça acordam o solitário soldado que atordoado e com a melhor das intenções prontamente se levanta para ajudar a mulher que como uma sereia o chamava para a morte. Logo que abriu a porta, um outro sujeito que estava escondido aparece e efetua um disparo certeiro e fatal na garganta do policial. O homem tomba… Mais um tiro para se certificar…
Após a covarde execução, pegam as chaves, libertam seus párias e seguem em uma desatinada fuga. Deixam para trás um corpo ensanguentado, sem o menor remorso. Apenas um comentário posteriormente reproduzido por outros detentos que preferiram cumprir o resto de suas sentenças e não se aproveitaram da situação. “Hoje os passarinhos vão sair da gaiola”.
Essa foi a primeira história que ouvi assim que fui transferido para um destacamento no interior do Estado (RN). Claro que a romantizei tentando causar um maior impacto no leitor. Para você pode ser apenas um causo policial, mas para mim é a história que me põe na realidade toda a vez que saio para trabalhar. É esse relato que passo diariamente em minha cabeça, associado à cena que presenciei no dia em que conheci a mãe de mais esse herói morto em serviço. Uma senhora aparentando ter uns oitenta anos de vida, chorando ao me ver fardado. “Toda vez que vejo um policial lembro de meu filho. Já faz tempo, mas não esqueço”. Constrangido ou emocionado permaneço imóvel e em silêncio, apenas observo sua expressão e respeitosamente guardo seu conselho. “Tome muito cuidado para não acabar como meu filho. Não desejo a mãe alguma sentir a dor que eu senti e ainda sinto”. Enquanto ela enxugava o rosto, despedi-me ainda atordoado. Ao longe, ouço um “Vai com Deus”.
A frase é clichê mas resume bem o pensamento policial de sobrevivência, institivamente enraizado na corporação:
- Se é para uma mãe chorar, que chore a mãe do bandido!



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Um relato dramático de uma cruel realidade. Cada policial que tomba, leva com ela a sociedade e o cidadão de bem. O mais triste é que esta mesma sociedade e esses mesmos cidadãos de bem se esquecem de, aquela morte, significou o vim da vida de um ser humano. De um pai, de um filho, de um irmão, de um amigo ou de um conhecido de alguém. Resta saber até quando os policiais que tombam continuarão a ser apenas meras estatísticas e passarão a ter a devida importância. Da mesma forma. resta-nos saber quando os governantes deixarão as famílias enlutadas em condições de sobreviver sem a necessidade de permanecerem com um pires na mão para sempre.
Muito bom seu blog…
Sou estudante de jornalismo; meu amigo e eu estamos preparando um vídeo documentário sobre o tema da campanha da fraternidade deste ano “Segurança pública” e juntos resolvemos acompanhar o dia de um policial, suas ações diante a proteção da sociedade, gostaria de estabelecer um contato com você, mesmo morando no interior das Minas Gerais, a troca de informações com você é de grande importância, deixo meu e-mail para eventual contato -emjornalismo@ymail.com – me chamo Vander Andrade e sempre estou vou ler seu blog parabéns continue assim.
Estamos devendo um post sobre a Campanha da Fraternidade. Quanto a nossa colaboração, ajudaremos no que estiver ao nosso alcance. Mas para isso precisamos ter uma ideia melhor do que pretendem produzir.
Envie um email para flaviohand@gmail.com explicando sua proposta e veremos a melhor maneira de contribuir para o documentário.
A você mãe
Estas pequenas linhas são dedicadas a vocês que ao longo da vida foram premiadas com a dádiva de ser mãe…!
Mais um lindo dia se aproxima na mesma intensidade na qual agradecemos a cada dia de vida em que o grande DEUS nos concede, neste dia tão especial para quem tem, e ao mesmo tempo tão dolorido para pessoas como eu, e meus filhos que perdemos nossas mães, juntamente com milhares de outros filhos que o grande DEUS levou o anjo que nos cedeu para nos guiar neste mundo, para estes ANJOS CHAMADOS DE MÃES E SABIAMENTE O HOMEM DENTRO DOS 365 DIAS DO ANO ESCOLHEU UM EM ESPECIAL O DIA 10 DE MAIO para homenageá-las.
Há como eu queria Ter um carinho verdadeiro, um beijo sincero, um abraço forte que aquece a alma, palavras que me conduza ao bem sendo que, o único interesse seja meu próprio bem.
Flor da minha vida que hoje brilha no jardim do paraíso, ah MÃE como sinto sua falta nesse dia tão especial meu coração bate meio vazio.
Para o mundo tenho que ser forte, para o meu eu, sou tão frágil como qualquer homem comum, SOLDADO DAVID.
“Se é p/ uma mãe chorar, que seja a mãe do bandido”…
Lembro-me de sempre ouvir me pai repetir essa frase, ao longo de sua carreira como policial militar. E é a mais pura verdade. Muitas vezes, ou melhor, em todas as vezes, é matar ou morrer mesmo…
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