No dia 09 de fevereiro do corrente ano a cidade de Nova Mutum, no Mato Grosso, viveu o pior dia de sua história: uma quadrilha fortemente armada roubou o Banco do Brasil local. Utilizando reféns como “escudo humano”, os bandidos investiram contra a polícia local que nada pôde fazer a não ser se abrigar dos disparos. A ousada ação foi flagrada por um cinegrafista amador e as imagens foram tão impressionantes que no domingo seguinte (15.02.2009) uma reportagem foi ao ar no programa do Fantástico. Como era de se esperar, as forças policiais concentraram esforços na caçada a esses criminosos e o desfecho dessa história foi satisfatório (menos para os ladrões).
Esse fato não chamou a atenção somente pelo chocante ato dos assaltantes. Ele é mais uma demonstração de que a violência e o crime organizado não se limitam às grandes metrópoles. O maior problema – que aparentemente o poder público ainda não percebeu – é a incapacidade do policiamento desses pequenos municípios em responder proporcionalmente a essas investidas.
Em sua maioria tranquilos – e com população pacífica – muitos desses distritos dispõem de um aparato policial irrisório. No Rio Grande do Norte, por exemplo, é comum encontrarmos delegacias ou destacamentos policiais com apenas um ou dois homens em efetivo serviço e como vemos não é apenas o RN que carece de uma reestruturação. Sabendo disso, ocasionalmente bandos organizados (com armas até melhores que as fornecidas pelo Estado) escolhem essas cidades como alvo, todos com um modus operandi semelhante. Estudam a polícia local como horários de refeição, patrulhamentos, quantos agentes em serviço, enfim eles observam o poder de reação que pode ser oferecido e visam eliminar qualquer possibilidade de resposta dominando primeiramente os policiais para depois investirem contra o escopo principal – que pode ser uma agência bancária, lotérica, Correios ou qualquer outro ponto com grande circulação de dinheiro “vivo”. Além disso, traçam rotas de fugas e pontos de apoio no caminho.
No ano passado a Polícia Federal com o apoio do BOPE/RN desarticulou uma dessas quadrilhas em uma ação eficiente, sem prejudicar inocentes. O que demonstra que o trabalho de inteligência (investigativo) é uma importante estratégia para coibir essa modalidade de crime e que essa tarefa pode deve ser realizada pelas Polícias Civis (Estaduais), basta que forneçam condições mínimas para tal ofício. Desnecessário dizer também que uma polícia militar (ostensiva) atuante contribui consideravelmente para que fatos como esses não mais se repitam.
A solução pode parecer simples, porém não é tão fácil. Requer uma estruturação complexa que vai desde o aumento do número de policiais até uma mudança drástica de atitude por aqueles que são responsáveis pela gestão operacional, que podem começar a tratar os homens que estão no front (que lidam diretamente com esses problemas) não apenas como meros peões nesse jogo de xadrez, mas sim como peças insubstituíveis tal qual as suas vidas são.












{ 8 comments… read them below or add one }
Caro stive. O Piaui foi alvo mais uma vez de assaltos em sequencia. cerca de 6 cidades do sul do Estado foi alvo de bandidos. Graças a Deus nossos companheiros estão integros e alguns bandidos mortos. mas, quando se fala de segurança pública no Piaui, os ESPECIALISTAS só lembram da Capital, que tbm não anda muito bem. abraço.
Soldado PI:
É como disse, infelizmente as cidades interioranas são “esquecidas”, exemplos temos aos montes. Eu trabalho em uma dessas cidades e conheço de perto a realidade. Acredito que boa parte do descaso se deve à pouca pressão por parte da imprensa na cobranças dessas melhorias. Os esforços se concentram somente nas capitais.
Só um detalhe, companheiro. Esse blog é de responsabilidade do Alexandre Sousa e agora conta com minha colaboração. O Stive é responsável por outro domínio (muito bom por sinal).
Olha, concordo com vc que o problema é de gestão, porém de gestão ampla não só da policia militar e civil, mas da sociedade como um todo, todavia isso é muito dificil de se ralizar pois não há vontade politica para fazer acontecer, os cargos desses gestores são ocupados em sua maioria por indicação politica, por gente que não sabe nada de segurança publica em detrimento da valorização dos profissionais que conhecem o tema, grande abraço,oliveira do acre.
Vou falar a verdade: Nunca ouvi falar que um policial tinha um blog. Juro por Deus que nunca na minha vida pensei nesse fato. Fiquei sabendo deste e de outros blogs policiais quando um delegado protestou sobre o assunto. Mas, fico tão alegre de ter visto e conhecido blogs policiais.
Parabéns, belo blog, e que esse e outros sirvam de exemplo para até o General criar um blog. Parabéns mesmo.
Faltam coisas básicas como investigação mais precisa e eficiente e uma força de resposta rápida capaz de se deslocar rapidamente e combater essas ações a tempo.
policia militar é desprestigiada pelas autoridades do rio de janeiro.Homenagem da PM a Tiradentes termina sem a presença de autoridades estaduais
POR BARTOLOMEU BRITO, RIO DE JANEIRO
Rio – O Governador Sérgio Cabral, o vice Luiz Fernando Pezão, o Presidente de Assembléia Legislativa, Jorge Picciani, e o Secretário de Segurança Pública, delegado federal Mariano Beltrame, não apareceram na solenidade que a Polícia Militar realizou, nesta terça, na escadaria da Alerj, em homenagem a morte do alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, ocorrida em 21 de abril de 1792 e que, também, marcava a início a abertura dos festejos em que a corporação vai completar 200 anos de existência, no dia 13 de maio de 2009.
O comandante da PM, coronel Gilson Pitta Lopes disse que não via na ausência delas nenhum desprestígio, pois a festa foi marcada em cima da hora e tanto o governador, como o vice, o presidente da Alerj e o secretário de segurança, tinham outros afazeres já marcados. Ele esqueceu que as homenagens a Tiradentes, com desfile militar, é realizado anualmente e não tinha como eles marcarem outros compromissos para a mesma data. “O importante é que a população veio assistir, temos aquí representantes da Marinha e da Aeronautica – o Exército e o Corpo de Bombeiros também não mandaram representantes – e, o mais importante, é que daqúi até o dia 13 de maio teremos 31 eventos e o mais importante é o do dia 13 de maio, quando nossa instituição completa 200 anos”, disse o comandante.
O coronel Gilson Pitta anunciou, também, mudanças nos comandos das unidades operacionais e especiais, nos próximos dias, a começar pelo tenente-coronel Weber Gonçalves, comandante do Regimento de Cavalaria coronel Cony (Campo Grande) que foi criticado em um documento confidencial assinado pelo coronel Paulo Cesar Lopes, comandante do 2º Comando de Policiamento de Área (2º CPA) .
“Estou no comando da Polícia Militar há pouco mais de um ano e serão necessárias fazer mudanças de comando. Isso é uma rotina na vida militar”, disse. Sobre as denúncia contra o comanante do regimento, ele revelou que elas estão sendo analisadas pelos canais competentes. Com relação aos assaltos e roubos de carros que estão ocorrendo na cidade, especialmente na região do Grande Meier, Pitta informou que os bandidos, acuados nas favelas estão indo para as ruas, mas a Polícia Militar está atenta, realizando operações e ações de inteligências. Infelizmente, aquela jovem senhora morreu há 200 metros de uma patrulha da PM, mas fizemos uma operação no Jacarezinmho para capturar seus possíveis matadores. Houve um confronto e morreram três marginais, sendo que um deles estava com uma pistola roubada da Polícia Civil.
Antes do desfile militar, autoridades colocaram flores no busto de Tiradentes que fica à frente da escadaria da Alerj. O desfile foi comandado pelo coronel José Alencar Marques da Fonseca e desfilaram, além de escolas particulares do Rio e da Baixada Fluminense, tropas da Academia D. João VI, Veteranos da Polícia Militar, militares deficientes, que foram baleados em combates com a crominalidade, Guarda de Bandeiras Históricas, Unidade de Polícia Pacificadora, cujos integrantes ocupam as favelas da Cidade de Deus, Batan e Dona Marta, Companhia Independente de Cães de Policiamento, Batalhão de Choque, com um carro-blindado, o Paladino, da época da ditadura militar, e outro carro também da mesma época, conhecido como Brucutu, Grupamento Táticos de Motociclistas (GTM), Grupamento Especial de Salvamento e Resgate (Gsar), Batalhão Florestal, Batalhão de Operações Especiais (Bope) e Regimento de Cavalaria coronel Cony.
Terça-feira, Abril 21
Mais um fracasso!
Vi de longe o que eu já esperava, pouquíssimas pessoas no tal movimento de mulheres de policiais. Querem saber de um segredo? Enquanto não tiver liderança e organização nenhum movimento dará certo. Agora vamos deixar de ser hipócritas e falar um pouco de números. Com quantos policiais, praças, honestos e que vivem exclusivamente do salário da PM, vocês acham que podemos contar no apoio a uma manifestação? Deste pequeno grupo focalize o perfil de suas esposas: Quantas delas você acha que vão deixar os seus afazeres para participar de alguma manifestação por melhorias para seus maridos? Não só salarial, mas de condições de serviço, escala, fim dos extras, entrando assim em uma briga, não só contra o governo, mas contra a própria Polícia Militar. Bom eu digo a você, quer saber quantas? Doze! Esse era o número de esposas de policiais que pude contar de onde eu estava. Uma dúzia de mulheres sem liderança e meio perdidas no que poderiam fazer naquele momento.
Vou dar uma aula a vocês no tocante de como fazer uma manifestação:
Em primeiro lugar é necessário que se tenha um líder, uma cabeça centralizadora que servirá como organizadora, mediadora e termômetro do movimento. Esta cabeça funciona como o núcleo e dali existe um grupo, uma subdivisão, que funciona como a ramificação que espalhará as sementes do movimento, mais ou menos assim: A D. Maria, esposa do Sgt Luizão, inicia o movimento e convoca para uma reunião seis amigas suas para expor suas idéias e avisa a essas seis amigas que elas podem trazer outras amigas. Digamos que cada amiga de D. Maria traga mais duas amigas, então seriam na primeira reunião dezoito mulheres que passariam a tomar conhecimento do tipo de manifestação que D. Maria está idealizando. Levemos em consideração que dessas dezoito convidadas (com muito otimismo) a metade resolva aderir ao movimento e queira ajudar a angariar fundos e alistar mais voluntárias, então teremos uma primeira reunião, na qual definiu-se regras, métodos de ação e marcou-se uma nova reunião para que todas possam conhecer o novo grupo que será arregimentado pelo primeiro núcleo formado a partir daí. Daí acontece o que chamamos de efeito dominó. Nas panfletagens, abordagens entre amigas, postagens pela internet e até mesmo na abordagem aos policiais em serviço nas ruas, convoca-se um número cada vez maior de pessoas simpáticas a causa para aderir ao movimento. Após quatro ou cinco reuniões, que aconteceriam em um espaço mínimo de 10 dias entre as panfletagens e abordagens, teríamos um grupo significativamente bom e minimamente organizado para dar o pontapé inicial em uma manifestação. Preciso deixar bem claro que a cabeça desta escalada deveria ser a esposa de um praça e que em momento algum seus maridos deveriam participar ou mesmo assistir a esses encontros para a proteção deles e do grupo, pois apesar de nada se poder fazer contra grupos que se reúnem em prol de um ideal legítimo e onde não ocorram atitudes ligadas ao crime, essas mulheres podem começar a ser atingidas através da identificação de seus maridos e das retaliações que eles podem sofrer.
Claro que como movimento de esposas de policiais, no caso praças, haveriam infiltrados, bom, não é novidade para ninguém que durante mais de 2/3 de meu tempo de polícia eu fui P/2 e, com certeza, a Polícia, assim como era na época da ditadura, colocaria mulheres do serviço reservado para vigiar o movimento, logicamente sempre contando com uma oficial (porque se praça poderíamos até persuadi-las e mudar seus pensamentos vindo a fazer com que estas fiquem do nosso lado, o que não aconteceria com uma oficial, que sofre uma lavagem cerebral e logicamente, faz parte da situação) por isso é importante frisar que no local das reuniões, em hipótese alguma, poderiam estar policias militares.
Movimento só com divulgação mínima na internet, como foi o de hoje, sempre estará fadado ao fracasso. Lamento, mas é a realidade!
Sofremos uma verdadeira “discriminação” nas policias do Brasil, temos que cumprir a escala de serviço,sem falar no salário que é uma miséria e a dificuldade que enfrentamos na rua, dai não podemos fazer greve ou manifestação porque podemos ser presos em flagrante, mas observamos que políticos do nosso Brasil não vão presos, apenas respondem ou abrem mão do cargo por alguns anos e logo estão ai de volta nomeados com cargos de confiança ou saem candidatos novamente. Em todo o país realmente a corrupção existe, culpa dos governantes que não valoriza a segurança além de outros concursados, sabe qual a diferença é que a maioria não se corrompe e eu faço parte da maioria, sou pm mesmo.