Para mostrar um pouco da realidade das polícias, apelo à Folha de São Paulo. Entretanto, dessa vez a crítica não é direcionada à instituição policial e sim aos maus agentes, que possuem o “dom” de levar vantagem em tudo, inclusive conseguem tirar proveito negativo até mesmo de ações que buscam a melhoria da categoria com qualificação e reforço financeiro na baixa renda dos profissionais de segurança pública.
Estou falando do Bolsa Formação, um programa criado pelo Ministério da Justiça para capacitar justamente esses funcionários. Como sabem, os cursos oferecidos (assim como suas avaliações) são “virtuais” e apesar do grande aprendizado teórico que eles proporcionam, muitos não almejam – ou lhes falta disposição para o estudo – esses conhecimentos que podem ajudar no dia-a-dia profissional. No entanto, desejam cegamente os R$ 400,00 mensais oferecidos aos participantes do projeto. E qual a consequência disso?
Policiais pagando para que outras pessoas realizem cursos em seus nomes, já que a avaliação também é virtual. As negociações variam. É certo que o agraciado receberá a bolsa por no mínimo um ano, logo a “taxa” pode ser a primeira parcela ou uma quantia mensal, uma espécie de imposto descontado a cada saque. E qual a consequência disso?
Uma repercussão em um dos maiores jornais do país, contribuindo mais uma vez para que a sociedade avalie negativamente todos os policiais – o problema da generalização.
PMs do Rio fraudam curso para ganhar R$ 400 de bolsa
E qual a consequência disso?
Ao menos um efeito positivo: mudanças anunciadas no método de avaliação, que passará a ser PRESENCIAL. O que de fato exigirá do beneficiado um real compromisso em assimilar o conteúdo, garantindo assim a eficácia do programa. Conforme consta na própria reportagem.
…A Senasp vai estabelecer que a partir de 24 de abril, início do próximo ciclo, os inscritos sejam obrigados a fazer uma avaliação presencial acompanhados de seus superiores. Quem não fizer terá a bolsa cancelada.
Portanto, quem não aproveitou essa chance de aprendizado pode ficar tranquilo! Quem está participando desse último ciclo ainda fará a avaliação pela internet. A regra só vale para os próximos cursos.
Apesar dessa mudança ser bem vinda, é necessário buscar condições para viabilizar não apenas as avaliações, mas sim todo o curso de maneira presencial, pois é sabido que somente os esforços teórico e prático garantem a qualificação necessária para minimizar erros e atender a população como ela exige e inegavelmente merece.
* Gíria utilizada pelos policiais militares do RN quando se referem a algo errado, sua variação também pode ser aplicada aos que cometem “deslizes funcionais”. Por exemplo: Fulano é um lavado!
Flávio Henrique é jornalista desempregado, policial desiludido, jogador frustrado de handebol, aspirante a radialista, desocupado por vocação e blogueiro nas horas vagas.











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Entendo a sua revolta. No entanto, basta raciocinar que a culpa é do próprio bom policial. Se ele sabe o que ocorre e se cala (quando há inúmeros dispositivos para denúncia anônima) ele compactua com a ilicitude.
Um ditado antigo e sábio: “Para que o mal triunfe, basta que os bons nada façam”.
Se a polícia tivesse a colaboração dos bons policiais no combate a corrupção; as coisas seriam diferentes para todos. Sei que isso é um problema, especialmente quando as próprias lideranças estão nessa barca furada. E o mesmo vale para o cidadão que reclama da polícia e depois pede “pro guarda aliviar”.
Admirável foi eles não terem usado a saída mais fácil de sempre, cancelar os cursos e acabar com tudo. Pelo menos nisso acertaram desta vez.
E sua ideia é corretíssima. Aulas e avaliações presenciais com prática e teoria. Isso sim é treinamento de qualidade.
Um abraço.
“Cortar na própria carne” sempre é difícil. Concordo que os maus agentes devam ser extirpados como um câncer em benefício do organismo (no caso a instituição). Contudo, o medo e muitas vezes a amizade com esses colegas de profissão contribuem para a omissão desses bons profissionais que beira à cumplicidade. Afinal, muitas vezes suas vidas dependem também do trabalho dos corruptos. Sobre as denúncias anônimas, é como o próprio nome sugere: portanto não há como saber quantos policiais denunciam transgressores, logo é impossível dizer se realmente existe conivência.
Até o próximo post!
De sousa, se há fraudes até nos vestibulares (o que nós sabemos muito bem, haja vista dona maristela, a incrível professora de TUDO), não é no bolsa formação que eles vão estar livres disso! O problema não está aí, está muito antes, está na educação, na CULTURA do povo, que só se guia pela “lei de Gérson”, sempre querendo levar vantagem em tudo. O mesmo povo que idolatra o indivíduo que arrumou um jeitinho de não pagar imposto de renda, que acha ótimo receber troco a mais, rechaça a polícia, o congresso e os governantes em suas atitudes. É o que eu sempre digo. O povo tem os governantes que merece!
Boa noite;
Sou policial militar, e na minha humilde opinião vai ser muito bom esta avaliação presencial, desde quando seja presenciada por um funcionário civil, pois não tenho boa recordações de algumas avaliações de superiores,principalmente quando você é um policial questionado em sua unidade operacional.
Concordo Reili Sampaio. A cultura da malandragem amplamente difundida em nosso país contribui danosamente para a construção de uma nação melhor. Esse “jeitinho brasileiro” é deveras prejudicial e já chegamos ao ponto de considerar “otário” àquele que faz algo sem receber nada em troca ou deixar de tirar proveito de uma situação por princípios morais.
Norivaldo, sua observação é muito pertinente. De fato sabemos que o militarismo – devido ao rigor na hierarquia e disciplina – é comumente confundido com autoritarismo.
Em virtude disso, seria apropriado que as avaliações sejam aplicadas por algum funcionário do Ministério da Justiça ou por alguém que não tenha qualquer vínculo (profissional ou não) com os cursandos. Como acontece em concursos e vestibulares.
Cabe a nós enviarmos sugestões (pode ser pela página do Pronasci) na busca por melhorias no programa, pois somos os principais beneficiados.
A questão é complexa.Passa pela falência dos valores morais que se originam na célula máter, a família, seguindo por uma sociedade hipócrita e terminam no lodo das efemeridades humanas, encontrando terreno fértil em um cenário hedonista e egoísta.Como o policial, ainda que tenha uma carga horária massacrante e trabalhe no “bico” não consegue disponibilizar uma hora diária para os cursos do EAD?Acredito ter origem certos comportamentos do agente de segurança pública na sua origem, ou seja de onde esse profissional veio.Óbviamente foi contaminado pela banda podre da sociedade.Sim,isso mesmo.Falam em banda podre na polícia. E todos aqueles que inssistem em levar vantagem em tudo o tempo inteiro?Francamente…não podemos purificar as forças de segurança sem antes purificarmos toda a grande parcela podre da sociedade.Afinal, alguém já viu uma laranja boa permanecer boa em meio a várias ruins?
Caros amigos, vamos falar serio…. Esta bolsa é muito boa, mas a verdade é que isso é um cala-boca para os policiais que ganham uma miseria, e são desvalorizados…. acham justo um Policial Rodoviario Federal ganhar 5.000,00 ou 6.000,00 e um Policial Rodoviario Estadual (que faz a mesma função, só que é do Estado (RJ) ganhar 700,00 ou 800,00 reais….. Que Pais é esse? Eu fico feliz que o Governo Federal teve pena e deu esta bolsa ai pra dar uma forcinha….
Olá galera, sou SD do RN e desejo sempre receber notas,informações entre outras coisas deste site.