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Política de enfrentamento? Onde?!

by Alexandre de Sousa on 29/05/2008

A palavra de ordem nos debates de segurança pública é a tal “política de enfrentamento”. Os sociólogos são contra. O governador diz que continua.

Então dá licença, porque não quero perder essa queda de braço por nada. Vou ser o chato que não concorda com nenhum dos dois. Estou com o Tenente Barrim: “não existe política de enfrentamento”.

Políticas públicas, para assim serem chamadas, necessitam de planejamento baseados em diagnósticos, produzidos a partir de informações qualificadas e consistentes. E também de um acompanhamento constante, para aprender com os próprios erros.

Sabe as ações reativas de intervenção policial, desconexas e ao sabor das notícias de maior visibilidade? Isso não é política de segurança pública!

Então esse governo não tem política de segurança pública? Aí eu pergunto: porque não teria? Só porque tem enfrentamento quase que diário nas favelas cariocas? Isso não torna o atual governo um governo sem política de segurança pública. Terá que arrumar outros argumentos para convencer-me (comece pelos do terceiro e quarto parágrafos que suas chances aumentam).

Engraçado que alguns dos que criticavam os possíveis confrontos no PAC do Alemão foram os mesmos que criticaram porque não havia polícia na inauguração das obras. Decide aí pessoal! Querem corrupção, a omisssão ou a guerra? Quer ver, a maioria vai responder omissão. Só que em outras palavras, claro.

Esse assunto é cíclico. A dois anos atrás falei do discurso da tal “política de extermínio de pobres e negros”, que algumas ONGs gostam de repetir. Observem que absudo. Isso é o mesmo que falar em ação do Estado para assassinar jovens negros e pobres, de forma seletiva, dirigida e planejada.

Ano passado escrevi o texto Complexo do Alemão, inteligência policial e confronto armado. Expliquei o que era inteligência policial e porque isso não significava ausência de confrontos, dentre outras coisas.

O confronto armado, ou o “enfrentamento”, não invalida uma política de segurança pública, desde que inserido num contexto de ações baseadas em metas, a partir de um planejamento com base em um diagnóstico. E para ser ainda mais repetitivo: com avaliações ao longo do tempo que permitam fazer os ajustes necessários.

Uma política de segurança pública séria, no Rio de Janeiro, onde bandidos utilizam táticas de guerrilha, obstruem vias, entrincheram-se em locais estratégicos e empunham armas de grosso calibre, invariavelmente envolveria confronto armado.

A verdade é que nós, policiais fluminenses, gostamos do “enfrentamento”. Sim, estou falando pelos outros. Gostamos e gostamos muito. Nos orgulhamos disso! Cheguei a comentar sobre isso num outro post, também do ano passado (tá vendo como nada muda?). O CB M. Maximus também postou sobre.

Voltado a pegar o fio da meada, concluamos…

Vamos criticar a política de segurança do Sérgio Cabral? Vamos! Os baixos salários estão aí, o aumento da criminalidade, a baixa elucidação de delitos, ou até a ausência total de uma política de segurança pública… mas não vamos mais dizer que existe política de extermínio, política de confronto, política de enfrentamento, essas coisas feias.

Combinado?

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1 Anônimo 30 May, 2008 at 12:45 PM

Com um salário inicial inferior a R$ 2.000,00 (dois mil reais) para Soldado, não dá para esperar absolutamente NADA do Policial Militar! É necessário pagar bem, para depois poder cobrar…

GARANTIA DE SALÁRIO NUNCA INFERIOR AO MÍNIMO AOS SERVIDORES MILITARES
Constituição da República Federativa do Brasil, capítulo II, Dos Direitos Sociais, Artigo 7º, Inciso VII c/c Constituição do Estado do Rio de Janeiro, Artigo 92, Inciso I: Soldo do PM não pode ser inferior ao salário mínimo (R$ 415,00).

O soldo, que é a remuneração básica legal do PM, assim como o salário o é para o trabalhador (CLT), está abaixo do salário mínimo, o que é ilegal.
2º SGT — R$ 388,24 *
3º SGT — R$ 353,19 *
AL OF — R$ 305,85 *
CABO —- R$ 305,85 *
SOLDADO – R$ 265,54 *
AL CFSD – R$ 219,10 *
* SOLDOS ABAIXO DO SALÁRIO MÍNIMO

R$ 1.000,00 (mil reais) é salário para pessoas semi-analfabetas. Na Polícia Militar, ninguém entra sem o Ensino Médio (2º Grau Completo) e todos são concursados!

Incentivo ao estudo: Quem tem o Nível Superior (3º Grau Completo) deveria receber uma boa Gratificação e ter a sua promoção mais rápida do que a dos demais, como em qualquer outra profissão.

A sociedade precisa de uma nova PMERJ, os bons Policiais Militares tem que ser valorizados!

SAÚDE, EDUCAÇÃO e SEGURANÇA não podem ficar no BURACO.

2 Anônimo 30 May, 2008 at 5:24 PM

O SOLDO NÃO PODE SER INFERIOR AO SALÁRIO MÍNIMO LEGAL
(Art. 7º, inciso VII, da CF c/c Art. 92, inciso I, da Constituição Estadual)

O SOLDO, que é a remuneração básica legal do PM, assim como o salário o é para o trabalhador (CLT), está abaixo do salário MÍNIMO, o que é ILEGAL.

Salário Mínimo Necessário (Abril de 2008)

Salário mínimo de acordo com o preceito constitucional “salário mínimo fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, reajustado periodicamente, de modo a preservar o poder aquisitivo, vedada sua vinculação para qualquer fim” (Constituição da República Federativa do Brasil, capítulo II, Dos Direitos Sociais, artigo 7º, inciso IV). Foi considerado em cada Mês o maior valor da ração essencial das localidades pesquisadas. A família considerada é de dois adultos e duas crianças, sendo que estas consomem o equivalente a um adulto. Ponderando-se o gasto familiar, chegamos ao Salário Mínimo Necessário: R$ 1.918,12 (mil, novecentos e dezoito reais e doze centavos).

DIEESE
http://www.dieese.org.br/rel/rac/salminmai08.xml

3 Iasminne 10 July, 2008 at 1:55 PM

Isso é uma tragédia, sem dúvida. Mas (eu acho que foi só eu) é que, o pai dele ele tem um jeito que ñ me emociona, como se estivese querendo aparecer.

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