Numa notícia rápida, o Último Segundo, trouxe uma comparação do Rio de Janeiro e do Iraque, baseado numa foto em que uma criança observava um militar dos EUA, que ocupa o país em guerra, com a foto de uma criança que observa um policial militar no Rio, que ocupava uma favela.
“A distância entre o Rio de Janeiro e Bagdá – duas crianças e uma só realidade. A ocupação norte-americana no Iraque e a intervenção da polícia cada vez mais presente no Rio de Janeiro.” Último Segundo
Confesso que comparar o Rio de Janeiro aos países em guerra é uma tentação. Os números são de guerra, as armas são de guerra, as imagens são de guerra… e guerra dá ibope. A fotos são idênticas, as datas são as mesmas, quem perderia essa oportunidade?
Mas é preciso muita calma nessa hora. “Duas crianças e uma só realidade”. Mesma realidade?? Cada vez que alguém repetir isso, deveria bater na boca, fazer toc-toc-toc na madeira e pedir perdão a Deus.
O jornalista disse isso porque não é correspondente lá no Iraque. O Iraque tornou-se, a partir de 2003, o país onde mais morrem jornalistas desde a II Grande Guerra. Antes o recorde era do Vietnã, com de 70 jornalistas mortos durante os 20 anos que durou a guerra. Porém, em menos de dois anos e meio, o Iraque conseguiu bater o recorde. Agora, já passam de duzentos os jornalistas mortos no Iraque .
No Iraque, garante o Vinícius Cavalcanti, engenhos acionados por comando remoto (via rádio ou celular) são tão comuns quanto as nossas granadas de fabricação artesanal. A ameaça de bombas improvisadas de construção sofisticada é tão séria que os americanos estão investindo uma grana apenas para conseguir neutralizá-las. Até ao momento, já morreram no Iraque 3.391 soldados norte-americanos.
Já por aqui, a intenção do traficante é, antes de tudo, o lucro. É vender seu “tóchico” sem ser apanhado pela polícia. Não há nenhum discurso ideológico-político-religioso que “justifique” suas ações, como os guerrilheiros-terroristas, que com atentados suicidas e as bombas colocadas à beira das estradas, matam indiscriminadamente em nome de Alah, de Lênin ou qualquer outro por quem valha a pena explodir a si e a todos.
Por isso mesmo, justamente por estarmos diante de realidades tão diferentes é que a situação do Rio de Janeiro é por demais complicada. Por aqui não temos uma guerra declarada, estamos em situação de “paz”. Por isso, esses números, essas imagens, essas notícias que chegam diariamente do “front” carioca, já ainda mais relevantes, absurdas e aterrorizadoras por si só.
Não é preciso forçar a barra para mostrar isso, precisa?











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Meu Prezado Alexandre,
Realmente eu não sei a quem aproveita propagar aos quatro ventos que a nossa situação é muito mais crítica do que é realmente. Talvez até seja um esforço para obrigar a opinião pública a – definitivamente – assumir uma posição de peso, que nos permita “Vencer a Guerra”, porém sinceramente eu creio mesmo que tal veiculação seja apenas motivada pelo sensacionalismo que vende notícias, pelo marketing daqueles guerreiros em busca de foto no jornal (ou de projeção política) ou que ainda permite bonitos e efusivos discursos nas tribunas de nossas Casas parlamentares.
Fica complicado ler certas coisas sem que nos indignemos. Para “Vencer a Guerra” nós precisaríamos trazer o cidadão à luta, fazer com que as pessoas cerrem fileiras contra a criminalidade, não colaborem com os bandidos e os combatam de todas as formas ao se alcance. Não dá pra alijar o cidadão e ele continuar “tercerizando” tudo que diga respeito à sua segurança.
E onde está a mídia? Como ela se posiciona?
Na grande maioria dos casos, veiculando aquela ideologia derrotista das ONGs de “não reaja”, “se esconda”, “não se exponha”, “entregue tudo o que for pedido”, “não encare”, “não crie problemas”…que abre para os criminosos um espaço bastante desejável.
Já disse e repito: ninguém mais do que aqueles que, sem qualquer escrúpulo, se dedicam a predar a sociedade sentem-se incentivados em face de vítimas que se condicionam a não lhes opor qualquer reação. Será que somos um país de ovelhinhas? Vamos analisar o histórico de ações nos Estados Unidos: eu nunca vi um louco atirador que se metesse a invadir um local onde alguém o pudesse repelir à tiros.
Ao contrário do que seria desejável, parece que os órgãos de mídia se dedicam a pintar para o cidadão um quadro do tipo SEM SAÍDA, demovendo-lhe da vontade de resistir ou combater. Algo como: “Você, carioca, está no lugar mais inseguro do mundo” ;e aí meu irmão dê seu jeito!…
Graças a Deus a banda por aqui ainda não está tocando assim…como na Colômbia, Afeganistão ou no Iraque. Posso até falar um pouquinho sobre a Colômbia pois vim de lá há cerca de duas semanas…Nesses lugares a chapa esquenta de verdade!
No país vizinho o governo é obrigado tacitamente a reconhecer o poder da guerrilha, há acordos não declarados para a manutenção da paz em certas regiões (os quais devem durar somente enquanto as FARC não dispuserem de força para atacar o poder constituído) e nos lugares onde há combates, pessoas morrem de verdade e em grandes números. Lá, freqüentes atentados terroristas matam e ferem com bombas, coisa que nós – Graças a Deus – ainda não experimentamos por aqui. Acho que o último carro-bomba a ser detonado no Brasil data de junho de 1968 e vitimou o soldado do exército cuja família recebe uma pensão infinitamente menor do que a dos ex-guerrilheiros…
Embora até matérias em revistas respeitáveis como a SOLDIER OF FORTUNE dêem nossa confrontação urbana como um exemplo máximo de violência, vale lembrar que a maioria das baixas militares americanas se origina de armadilhas com artefatos explosivos e essa não seria uma realidade confortável se viesse a ser copiada pelos nossos bandidos.http://img384.imageshack.us/my.php?image=protegendosedosiedspy6.jpg
A despeito de todo o poderio e os recursos disponíveis ao tráfico de drogas, eles aparentemente hesitam em empregar tais armas contra as forças de segurança; no Iraque isso não acontece e ocorrências de veículos policiais espetacularmente destruídos são muito mais usuais lá do que aqui. http://img72.imageshack.us/my.php?image=carrodepolciaincendiadonn8.jpg
Lá, na guerra de verdade, eu duvido que dois militares em patrulha fossem dar bobeira sentados, no interior de um veículo não blindado, posicionados num local vulnerável ao ataque de inimigos que não conhecem limites! Isso, sobretudo, se considerarmos que outros companheiros seus já teriam encontrado a morte em situação semelhante, repetidas vezes…
Eu não conseguria imaginar um soldado americano negociando com a guerrilha sunita uma partida de munições ou a venda de um fuzil, como infelizmente ainda ocorre nessas bandas daqui…
Não dá pra comparar as realidades de lá e daqui. É muita “forçação de barra” dizer que o Iraque é aqui. Graças a Deus que não é!
http://img384.imageshack.us/my.php?image=protegendosedosiedspy6.jpg
Olá Alexandre. Ótimo post. Muito bom mesmo. Parabéns!
Comparar as duas situações é baixo jornalismo. Mas em alguns aspectos a nossa situação é mais grave. No Iraque basta se derrotar o inimigo. Aqui nosso inimigo é um governo que não prestigia a polícia e deixa de investir em segurança. Como derrotar um governo?
gd ab
Prezado Alexandre,
Lembrando que no Iraque, existem também os “IED´s”: Improvement Explosives Devices, que são colocados em beira de estrada, dentro de corpos (tanto de humanos, quanto de anumais mortos) e que são “sensíveis” a vibrações.
Aliás, acredito que hoje no Iraque, as 3 maiores preocupações dos soldados quanto a segurança (listo não necessariamente em ordem de importância) são:
1) IED
2) Snipers do “grupo” Juba
3) RPG´s
No primeiro caso, eles já estão usando (quando detectados) robôs para explodir o dispositivo.
No segundo, as “torres” dos Humvee´s agora são protegidas também na parte de trás com uma chapa de aço, deixando menos exposto o soldado que lá se encontra.
No terceiro, Humvee´s e blindados estão usando blindagem reativa, que têm por característica explodir “contra” o impacto do projétil, minimizando os danos do mesmo.
Matéria interessante aqui na DEFESA.NET sobre o tema.
http://www.defesa.ufjf.br/fts/Blindagem%20Gaiola.pdf
Abração!
Aranha
Tanto você, com esse excelente comentário, como o Vinícius Cavalcanti, que também fez ótimo e minucuioso comentário acima, estão mais por dentro do que acontece por lá que eu. O que vocês me descreveram só corrobora o que eu coloquei no texto: o Iraque está muito longe daqui, ainda. E graças a Deus!
http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI1610942-EI5030,00.html
Por absurdo que possa parecer, ouso pensar que sob o ponto de vista das dinâmicas/lógicas empregadas (Bush e Cabral), as diferenças não são muito gritantes.
Quanto aos resultados, guardadas as devidas proporções, creio que também não o serão.
Prezado Alexandre,
Se puder ler:
http://aranhaparabellum.blogspot.com/
Abraço,
Aranha
Olha a noticía no blog do Garotinho: http://www.blogdogarotinho.com.br/
Ele agora virou piadista.
muito verdadeiro teu texto
mei ruim quando o proprio policial faz o trabalho do jornalista neh?o.O
sinal que alguem num ta fazendo oque devia….
Eu não falo português muito bem (minha língua é o espanhol), mas acho que vocês poderão me entender.
Sou da Colômbia, moro em Bogotá e posso dizer que a violência nesta cidade é menor do que Rio. Hei escutado coisas terríveis da violência carioca, na Tv, nos filmes; a violência em Colombia é rural, enquanto a violência brasileira é urbana.
Posso dizer que a mesma imagem que vc tem do Rio, a gente tem da Colômbia: o violento páis da droga.