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Rio tipo Colômbia, tipo Iraque, tipo Afeganistão, tipo Mogadiço: eu aumento, mas não invento

by Alexandre de Sousa on 16/04/2007

Quando eu pesquisava sobre funk, no ano passado, para escrever sobre o marketing de guerrilha do tráfico nos proibidões, eu cheguei a este trecho do livro “Batidão – Uma História do Funk“. Nele, Silvio Essinger falou do conceito tão explorado de uma cidade partida, mas dessa vez não em duas, mas em três Rios de Janeiro:

“Existe o Rio de Janeiro, o Rio de Janeiro e o Rio de Janeiro. Três cidades que ocupam o mesmo espaço geográfico, mas raramente o mesmo espaço simbólico. O primeiro Rio é aquele que ainda anseia por Ipanemas perdidas, de um tempo em que os amores eram recatados e silenciosos, o povo sorridente e polido, a água do mar cristalina e tépida e a música suave e gingada [...]

O segundo Rio é a terra de ninguém, trombeteada nos noticiários de TV, em que cada esquina é um Vietnã ou Iraque e não há lugar seguro para correr. Uma cidade de favelas que cercam os redutos de cidadania, favelas dominadas por traficantes e demais bandidos que cada vez mais freqüentemente transbordam para o asfalto a sua violência. É um Rio em guerra aberta e quente [...]

Mas há ainda um terceiro Rio de Janeiro. Aquele de quem anda de ônibus, compra nas bancas os jornais populares, zanza pelo camelódromo, permite-se um churrasquinho de gato com cerveja na esquina e sabe que existem muitos matizes entre o preto e o branco, a favela e o asfalto, a lei e o crime…”

É normal e esperado que um Diário de um Policial Militar fale tanto desse “segundo Rio de janeiro” e até o coloque em negrito. Mas até isso tem limite. Como será que veêm a gente lá fora? Será que elas imaginam que saímos de casa, apesar de tudo, e andamos de ônibus, vamos à padaria, paramos num bar? Ou eles vêem o Brasil como vemos o Oriente Médio?

Confesso que, mostrar esse “Rio em guerra aberta e quente” mexe com nossos brios e nos torna mais orgulhosos, apesar de tudo, de sermos policiais fluminenses. “Olhe só para nós, somos guerreiros, verdadeiros combatentes urbanos, enfrentamos a morte todos os dias, não é para qualquer um”, o que não chega a ser nenhuma mentira. Como o brabo tem orgulho de suas cicatrizes, e o trabalhador tem orgulho de seus calos, nos orgulhamos (em segredo inconfessável) do mal que não conseguimos evitar.

O problema é que as vezes as coisas fogem da normalidade, transbordam para o exagero e o tiro sai pela culatra. Foi o que aconteceu na repercussão da reportagem da Soldier of Fortune, que trouxe na capa o BOPE com a chamada “Brazil it´s War”. A revista trouxe supostas declarações de oficiais do BOPE comparando o Rio de Janeiro ao Iraque, falou de “freqüentes ataques a postos policiais levados à cabo com lançadores de foguete (RPGs)”, e chegou a mostrar uma foto que, segundo Vinícius Cavalcanti, seriam de dois soldados paraguaios, de uma grande apreensão de armas ocorrida no ano passado, como se fossem do BOPE.

No Fórum BF2, onde o pessoal não é bobo nem nada, sacou logo que se tratava de um matéria exagerada da revista, com muita “pagação de mistério”. O Vínicius Cavalcanti também passou um email falando do mesmo assunto. Tenho que concordar, pegou muito mal!

Não precisamos que as previsões do Cardoso se concretizem para podermos bater no peito e dizermos “nós somos foda”. Nós somos. Não precisamos pintar as coisas piores do que já são.

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{ 17 comments… read them below or add one }

1 junior 17 April, 2007 at 8:59 AM

Nós somos fodas, as coisas não precisam ser pintadas de piores, elas vão ficar piores, aí é só fotografar. Foda né?
Abração broder

Uma visão nada otimista, porém muito realista (e triste): as coisa vão ficar piores.

2 Quintino 17 April, 2007 at 10:40 AM

Alexandre,
fiz um post hoje no Diario do Rio similar a este. A gente tem um problema nesta cidade de, as vezes, achar que é mais violenta do que ela é. O Rio é perigoso? É, tem pontos da cidade que nem se fala. Mas áreas da Zona Sul, e outros bairros de classe média, tem a mesma violência de qualquer grande centro urbano.

Quintino, como sabemos, a sensação de insegurança nem sempre condiz com a realidade do nível de criminalidade. Como vc bem disse, a mídia, e aí incluo todo tipo de mídia (inclusive meu blog), pode contribuir para isso.

3 alex dias 17 April, 2007 at 2:21 PM

Nada sobre o aumento??!?!?!?!?!?!?!?! q maravilha!!!!!!!!!!!!!! todo mundo sastifeito!!!!!!!!!!!!!

4 Bunker 17 April, 2007 at 3:19 PM

Exatamente Quintino. Eu atualmente moro no interior do Rio de Janeiro. Mas morei 21 anos no Rio. Tem que ver como as pessoas aqui acham que eh o Rio. Do jeito que eles falam, voce vai ao Rio e as chances de serem assaltado eh enorme. A chance de uma bala perdida tb. Ou seja, atravessar o Rio sem sofrer nada, seria uma missao impossivel.

Eu costumo sempre falar aqui onde moro, que morei no Rio 21 anos e fui assaltado 1x. Andava muito de onibus, saia a noite, voltava na madrugada… Claro que o ideal, era nao ter sido assaltado. Mas soh para verem que morei no Rio 21 anos, e fui assaltado uma vez, entao tb nao eh isso tudo que pintam. Mas que com certeza esta ruim e esta piorando, isso eh fato!

E com certeza, a visao de um policial que esta diretamente ligado a esse “segundo Rio de Janeiro” eh muito pior que o do cidadao comum.

O Rio esta ruim, esta! E muito! Mas como foi dito, nao vamos piorar o que ja esta ruim!

[],s

5 Peter 17 April, 2007 at 4:00 PM

Caro Alexandre,

a mídia tem papel fundamental nesta visão meio Iraque do Rio de Janeiro.
Moro aqui há muito tempo, tenho amigos estrangeiros que adoram o Rio e parentes no Brasil que morrem de medo. É que fora do país não tem Jornal Nacional, estas reportagens específicas como da Soldier of the Fortune são muito direcionadas e não influenciam a massa. Claro que há bons e maus jornalistas, estão os interesses do meio de comunicação (anunciantes) e outros interesses para fazer matérias com um ou outro ponto de vista.

Há uns seis meses a revista Veja fez um especial sobre a China, cinco jornalistas passaram um tempo visitando a China e a revista colocou 50 páginas falando de um país maravilhoso e em pleno desenvolvimento, apenas duas páginas dizendo que havia uma China rural e pobre. A verdade é que a China tem 1 bilhão e 200 milhões de habitantes e apenas 200 milhões vivem num país em pleno desenvolvimento, os outros 1 bilhão vivem com menos de US$ 2,00 por dia, uma miséria que a revista resolveu não mostrar. Porquê?? Os jornalistas foram convidados pelo governo chinês e é claro que mostraram o que há de melhor no país e esconderam o lado feio.

A mídia aqui é assim, ela escolhe o que melhor lhe convém e exagera, claro que com as devidas exceções, para conseguir audiência. Antes as notícias de crime e terror ficavam restritas a jornais e programas populares (O Povo, Ratinho…) Hoje os jornais e programas mais “sérios” viraram sensacionalistas, porém mantendo uma roupa de jornal sério. A verdade é que o sensacionalismo vende mais, é assim em todos os lugares, mas a mídia séria não pode cair para o sensacional, pois assim deixa de ser séria.

Abraço!!!

Concordo Peter, mas incluiria nesse conceito de mídia, não só de imprensa, mas todo o tipo, inclusive meu blog ;)

6 Marcelo 18 April, 2007 at 8:05 AM

Pois é Alexandre. Nossa visão anda meio deturpada mesmo. Estou no Irã e posso assegurar que, aqui no Oriente médio, é muito mais seguro andar pelas ruas que em São Paulo (apesar de alguns cultivarem um bairrismo idiota, SP e RJ são mais parecidas que diferentes).
Quanto à visão que eles têm do Brasil, neste ponto a vantagem aqui ainda é nossa. Eles vêem como o pais do futebol com seus Ronaldos (dinhos) e Pelé ainda reina soberano por aqui.
Os jornais raramente noticiam (pelo menos os que estão em inglês) toda essa violência que sangra pela internet. Felizmente eles não acessam esses sites em português. Provavelmente iriam achar que somos um bando de criadores de cabras numa terra sem lei, que querem guerra a todo custo como a mídia no Brasil insiste em mostrá-los.

Abraço

7 Bia Ferreira 18 April, 2007 at 11:23 AM

(Terça-feira, 16 de abril de 2007) No quarto Bia,Pedro e Dadá assistem ao noticiário da tarde (aquele global que passa antes da chatíssima malhação). Antes de falar sobre a morte da nair Belo, a Fátima Bernardes fala sobre o estado de sítio da cidade do Rio de Janeiro:
Pedro – Porra, rapaz, eu não volto pro Rio mais tão cedo! Tá doido, imagina cê nem saber se pode ou não sair de casa…
Bia – É né.. te contei, aquele meu amigo, o que escreve no Diário de um PM é policial lá no Rio.
Pedro – Policial não minha filha, ele é soldado!!!
(…)
Pra mim, existem três Rios de Janeiro também: O Rio que o Jornal Nacional mostra todas as noites. Todo dia tem uma ocorrencia, todo dia tem um ataque novo. A impressão que dá é que vocês estão em guerra. Às vezes olho pra família do meu namorado, como se eles fossem refugiados, mas isso não é verdade, eles moram na Bahia há anos…
O segundo Rio, é aquele que vem depois do JN. As novelas geralmente retratam um Rio lindo. Malandro, mas recheado de Tons Jobins. É o Rio que eu sinto vontade de conhecer na minha próxima viagem.
O terceiro é o Rio das minhas observações históricas. O Rio de onde saiu o samba (que veio pra Bahia pra ser muito bem cuidado). O Rio dos malandros de chapéu branco e sapatos bicolores. Da Gafieira, da Lapa….
Eu colocaria esses dois ultimos em negrito.

PS: Nem sabia que existia livro falando de Funk (o carioca, é claro!)!!!!!!

8 UM CIDADÃO COMUM, SEM ARMAS! 18 April, 2007 at 12:33 PM

QUE TRISTE SABER Q EXISTEM PESSOAS COMO VC!!! BOA SORTE, PEQUENO RAMBO!! QUANDO A REVOLUÇÃO CHEGAR, NENHUM DE VCS SOBRARÁ… TORÇO POR ISSO TODOS OS DIAS!!

Vai lá pequeno Che Guevara, boa sorte em sua revolução.

9 CATHALÁ 18 April, 2007 at 11:19 PM

Tá vendendo policiais?

Eu quero uma bem linda, de preferência que venha desarmada e sem apoio aéreo. Pode ter entre 25 e 30 aninhos. Com marquinha de biquini e que não se enquadre no estereótipo do “Seu Aranha” ou da inspetora Magessi. :-P

Só pra descontrair, parceiro. N]esse seu post, na palavra “policiais” tem um link. Fui colocar o cursor lá e apareceu o seguinte texto:

“Policiais em oferta”
Compare e ache o menor preço de Policiais no Shopping Uol.”

manda teu e-mail pra mim novamente. Touprecisando trocar umas id´]eias co]ntigo].]

Esses anúncios fazem parte do meu “bico virtual”. Ainda está em testes, vamos ver se vai valer a pena (no bolso), mesmo com comentários engraçadinhos tipo o seu, rs

10 SD851 19 April, 2007 at 4:35 PM

se depender do exército…

Rio de Janeiro – O diretor-geral da divisão latino-americana da fábrica austríaca Glock (Glock America), Luiz Antonio Horta, informou, à Agência Brasil, que a empresa desistiu de implantar, por enquanto, uma indústria de pistolas em território brasileiro. Segundo ele, foram feitos três pedidos ao Exército, desde 2005. Todos eles teriam retornado com as mesmas exigências que não agradaram à multinacional.

Segundo Horta, para autorizar a instalação, o Exército teria exigido que, no prazo de três anos, a fábrica brasileira da Glock produza todas suas pistolas com 100% de componentes fabricados no Brasil, pela própria empresa ou não. Nesses três anos, a Glock teria sua produção restrita a cinco mil unidades por ano.

O diretor da Glock disse que a empresa fez três propostas alternativas ao comando militar e, em todas elas, o Exército respondeu fazendo a mesma exigência de 100% de nacionalização em três anos. “Com essa proposta, é muito difícil, praticamente impossível. A Glock produz três mil armas por dia. Querem que, durante esses três anos, tenhamos a produção anual de dois dias. Essa proposta [do Exército] mata a empresa e nos tira a vontade de investir no Brasil”, afirmou Horta.

De acordo com o executivo, a última proposta apresentada pela empresa austríaca previa uma instalação em seis etapas, que durariam seis anos. Na primeira, a Glock montaria 15 mil pistolas, todas com componentes austríacos. Nas segunda e terceira fases, 25% e 35% das armas, respectivamente, seriam fabricadas com material nacional.

A quarta etapa já previa a fabricação de todas as pistolas com o chassi (corpo de arma) nacional, mas com outras peças estrangeiras. No quinto e sexto ano, já seriam incorporados o ferrolho e o cano brasileiros, tornando a arma 100% nacional, como o Exército deseja. Mas a proposta também foi recusada.

“A gente pode até vir a fazer outra proposta, porque continuo com a mesma proposta e o meu objetivo é de que a fábrica seja no Brasil. O Brasil é um país viável, assim como a China, a Turquia e a Colômbia. É muito difícil que a gente volte a negociar. A menos que uma flexibilização (do Exército) seja espontânea”, afirma Horta.

Horta diz que o Brasil está recusando a oportunidade de sediar a única fábrica da Glock fora da Áustria, uma vez que as outras unidades fora da Europa são apenas linhas de montagem e não produzem as peças usadas nas pistolas. Segundo ele, a Glock produziu, no ano passado, 680 mil armas. O plano para o Brasil incluía fabricar 350 mil pistolas por ano.

Em nota divulgada pela assessoria de imprensa, o Exército informou que “estabeleceu as condições para essa instalação [da Glock no Brasil], visando obter a plena nacionalização do produto, em prazo considerado adequado e, desde então, aguarda nova manifestação da empresa.”
SD851

11 Bunker 19 April, 2007 at 9:45 PM

Enquanto isso a policia “escolhe”: Taurus ou Imbel. Imbel pra policia, nao tem condiçao. Sobra a Taurus, que praticamente reina no Brasil. Nao por suas armas serem otimas, mas pq os brasileiros nao tem escolha…

Foi como aconteceu aquele problema para a Policia estadual comprar as Colt. Teve que mudar o nome para Carabina Colt e assim o exercito achou que poderia ser comprada, achando que se tratava de outra arma. Que na verdade, nada mais eh que uma versao modificada das Colt que o exercito americano usa.

12 aguas da vida 21 April, 2007 at 10:24 PM

Realmente gratificante ler seu “diario-blog”, saber que existem policiais honestos que querem ver um brasil melhor.
Sobre a violencia…A culpa é da injustiça social, nao adianta prender delinquentes, o problema esta no social, educaçao, empregos, orientar essas meninas de 16 anos que fazer sexo é natural mas com o uso de camisinha para nao colocarem no mundo outras crianças de ruas…
Na minha opiniao.
Um abraço
Big Kiss

13 aguas da vida 21 April, 2007 at 10:25 PM

brasil= Brasil , no momento o brasil se escreve com letra minuscula…

14 Lali 23 April, 2007 at 8:31 PM

Tenho lido assiduamente seu blog e gosto bastante. Concordo, discordo, enfim… é como um bate-papo. Então, resolvi falar um pouquinho também. Acho esquisito se ter algum orgulho da situação de guerrilha em que vivemos no Rio. Acredito que todos nós – policiais, cidadãos comuns, profissionais de imprensa (como eu), todos mesmo – devamos lutar para que o Rio seja mais equilibrado. Não gosto do sensacionalismo que muitas vezes invadem os meios de comunicação, me envergonho mesmo, e tento sempre colaborar pra que isso não aconteça. Espero que todos também tenham essa postura e também trabalhem para que tenhamos uma cidade melhor para viver.
Abs.

15 Jorge 24 April, 2007 at 10:17 AM

Salve Alexandre,

Como estava há algum tempo sem receber notícias via FEED resolvi dar uma passadinha. Não sei se o fato de não haver nada mais novo que da semana anterior me alegra (porque nada de ruim aconteceu) ou me assusta (estás muito ocupado para escrever).
Um grande abraço!

16 James Kroff 24 April, 2007 at 10:55 PM

leia hoje no blog “O Alvo da chibata”

- Como dizia o profº Raimundo: e o salário, ó!!!

Falando sobre o minúsculo salário da PMERJ e o gráfico comparativo salarial de todas as PMs do Brasil.

Visite e dê sua opinião:
http://www.oalvodachibata.blogspot.com

17 James Kroff 24 April, 2007 at 11:00 PM

Caro amigo….

Por contato feito com um irmão do batalhão onde vc trabalha, fui informado que é um grande visitante de nosso blog e isso muito me orgulha…

Saiba que sou um assíduo leitor desse meio de comunicação eletrônica e posso dizer sem me escudar em meras evasivas: É o blog mais inteligente da blogosfera polical militar!!!

Nunca desanime, pois somente assim poderemos mudar uma máquina que há 200 anos vem sendo manipulada de forma lastimável.

avante guerreiro, retroceder jamais!!!

Quem é sabe!!!

Ué, vc não sabia? Sempre acompanho o Alvo da Chibata, desde que foi criado, quando dei as boas vindas aqui no Diário de um PM, até hoje. O Alvo da Chibata vem ganhando cada vez mais merecidade notoriedade, e fico muito feliz com isso. Acho até que deve deixar de ser anônimo, pois além de não precisar, traria ainda mais credibilidade ao blog. Pense nisso!

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