Obrigado ao Blog da Segurança Pública por avisar e ao Diogo do The Security, que não me deixou esquecer. Graças a vocês eu não perdi a entrevista do Luiz Eduardo Soares no programa Canal Livre, da Band, hoje de madrugada.
Bem, eu vi a entrevista. Se você não viu, pode acompanhar todo o desenrolar do programa tim-tim-por-tim-tim no Blog da Segurança Pública. O Tenente Cathalá está de parabéns, descreveu o programa com concisão impressionante, sem perder nada.
O que nós vimos (ou você não viu, mas leu, espero) não teve nenhuma novidade. A não ser que você só ouça música no rádio, não ligue a televisão, fuja das bancas de jornal e feche todo site que exibir notícias sobre o Rio de Janeiro, tudo o que foi tratado ali a gente já sabe.
Por exemplo, quem leu o post de dois dias atrás “Que venham o Exército e a Força Nacional de Segurança“, e concordou comigo, poderia responder tranqüilamente àquelas duas primeiras perguntas da entrevista (muito facinhas, diga-se de passagem).
1. Qual a solução a CURTO PRAZO para a violência nas grandes cidades?
2. A Força Nacional de Segurança Pública RESOLVERÁ o problema do RJ?
E de quebra, ainda responderia uma outra, sobre a utilidade (ou não) do emprego das Forças Armadas. E ainda faria o mesmo comentário que ele fez, sobre a necessidade de aumento de efetivo. E se der mole ainda responderia igualzinho a ele.
Não estou querendo me gabar não. E nem estou criticando o Luiz Eduardo Soares. Nem um, nem outro. Essas opiniões são gerais, que todos sabemos, mesmo que empiricamente. É aquele tipo de coisa que se encaixa perfeitamente nos discursos, mas que se não for levado à ação não serve de nada.
Veja os outros assuntos tratados e e o rol de providências que deveriam ser tomadas, segundo Luiz Eduardo Soares. Resumão!
Integração e inteligência: a importância do gabinete de gestão de segurança pública nos estados do sudeste e a necessidade de uniformizar bancos de dados das Polícias Civil e Militar. A integração precisa ser normatizada para que não fique a mercê da boa vontade de governantes.
Política em relação às favelas: a polícia faz incursões bélicas em detrimento de incursões permanentes (de presença) pois não tem efetivo suficiente. Os crimes de colarinho comprovam que a criminalidade não se restringe à favela e deve ser atacado também fora dela. E ainda, a necessidade de se retirar de circulação as armas ilegais em todo os estado.
Governo federal: gasta pouco e mal em segurança, comparando-se com os gastos nas conseqüencias da insegurança (como atendimentos hospitalares, faltas ao trabalho, segurança privada, etc).
Sistema penitenciário: necessidade de uma política penal justa e inteligente. Os presídios precisam de condições mínimas de higiene e saúde, educação e trabalho. O problema não tibieza das leis, mas a não aplicação delas (impunidade).
Alguém aí discorda desse rol de medidas em prol da Segurança Pública? Eu não discordo.
Uma pergunta parecia que ia salvar a entrevista da mesmice: mas e as milícias…? O Luiz desconversou, o jornalista insistiu, o apresentador interrompeu e o bendito não respondeu!
Foi assim: Luiz Eduardo Soares estava falando da importância da gestão, da organização e do planejamento no combate ao tráfico. Um dos jornalistas retrucou que as milícias explusaram o tráfico mesmo sem organização, bastando vontade. Luiz Eduardo Soares fugiu do assunto, dizendo que o problema organizacional das polícias é mais grave. O outro jornalista insistiu perguntando porque diabos (tá, foi sem o diabos) o Estado não ocupa os espaços nos morros. Aí me vem o apresentador e simplesmente interrompe, chamando uma matéria. Pode isso?!
Outras coisas que poderiam salvar a entrevista da “mesmice dos debates das últimas semanas” seria a posição do Luiz Eduardo Soares em relação:
1. ao caveirão,
2. à descriminalização das drogas,
3. à desconstitucionalização da Guarda Municipal.
Mas a culpa disso tudo é do entrevistador, que já abriu o programa perguntando “qual é o botão que aperta pra resolver o problema da violência?”.
E mesmo depois da resposta “não existe o tal botão”, decidiram perguntar se a Força Nacional é o “tal botão”.
Odeio quando o post fica grande. Me dá a impressão de ninguém vai ler tudo.











{ 18 comments… read them below or add one }
Bom, vamos lá…
Minha primeira crítica vai à organização do programa. Querer propor um debate sério, com “a maior autoridade em segurança pública do país” – segundo eles -, em um programa de 1h (ou menos até) é algo, no mínimo, amador.
A escolha dos jornalistas que participaram foi de certa forma, inteligente. Um deles claramente não era muito fã do Luiz Eduardo Soares, já o outro era. Isso é um fator decisivo no desenrolar da entrevista, pois é preciso alguém com coragem para contestar certos pontos. Porém, em minha opinião, seria mais proveitoso convidar outra autoridade em segurança pública para integrar o debate, e se fosse um policial, ótimo.
Como você já citou no post, só falaram o que todo cidadão informado tem conhecimento. Por causa da curta duração do programa, só foi possível apresentar os fatos, a discussão mesmo foi totalmente prejudicada. O apresentador do programa interrompendo o Luiz Eduardo na parte mais “quente” da entrevista foi o cúmulo do absurdo.
Para não dizer que as críticas são só negativas, eu gostei dos dados e das experiências de outros países citadas pelo Luiz Eduardo. Tudo bem que é um discurso de político. Mas dificilmente a mídia comenta isso. São importantes os exemplos de outros países que deram certo, e acho – mais uma vez – que se o programa tivesse maior duração estes assuntos poderiam ter sido mais bem explorados.
Minha avaliação: FRACO.
Minha sugestão para melhora: um programa com duração de 2hrs, no mínimo. Mais de um especialista. Não para causar brigas, mas para enriquecer e dar a oportunidade de aprofundar as dúvidas que circundam o assunto. Exibir o programa em horário nobre. Um debate sobre segurança pública, hoje em dia, tem a mesma importância do debate dos presidenciáveis. Portanto, que se coloque no bendito horário nobre. Ninguém morre se deixar de assistir a novela por um dia.
EU LÍ ZÉ, ESTAMOS JUNTOS. AH! JÁ ESTOU FAZENDO UM CURSO PARA MELHORAR.
Queria ver se fosse no Roda Viva a entrevista. O Luiz Eduardo tremeria muito mais do que tremeu no Canal Livre, mas seria muito mais proveitosa, pois lá o couro come quente.
(repararam nas mãos dele tremendo o tempo todo?)
De Souza, acho que entrevista não passou da mesmice para nós, operadores da Seg. Pública. Pelo que vejo por aí, para o público em geral, o programa foi bem esclarecedor, por dois motivos:
a) o veículo televisão, tem uma abrangência bem maior que outros, portanto atinge aquele público que normalmente não lê jornal (ainda que seja num domingo já de madrugada!!!);
b) o caráter de “especialista” conferido ao entrevistado pela equipe do programa faz com que seus argumentos, por mais que já sejam lugar comum para nós policiais, sejam aceitos por pessoas como os próprios jornalistas e pelo geralzão do público. Como exemplo, note-se um cara esclarecido e informado como o Fernando Mitre, ao que pareceu no programa, ainda acredita que existe o tal botão que se aperta e resolve tudo. Deve acreditar ainda em Papai Noel e na Cuca. Depois de ontem, ao menos no botão mágico ele não acredita mais.
Eu nunca vi ninguém tremer tanto na televisão. Parecia que o cara estava sob a mira de um FN FAL.
Alexandre, cheguei até aqui através do Pensar Enlouquece. Fui policial civil durante 7 anos e fiquei feliz em encontrar um companheiro de profissão blogando. Ainda mais da minha cidade.
Mas vamos lá. Eu não assisti a entrevista e depois do seu post, não fiquei muito entusiasmado a assistir, porque já não agüento mais esse lero de segurança pública, onde os entrevistados parecem dizer o que a sociedade quer ouvir, mas sabem que nada será posto em prática.
Concordo com todas as medidas propostas por vc e add mais uma. No mesmo dia dos últimos atentados no Rio, presenciei um fato que me me fez refletir. Vi um garotão tipo classe média avançar um sinal com o seu carro importado e quase passar por cima de uma senhora que empurrava um carrinho de bebê. Aí, fiquei pensando se a infração que este idiota cometeu foi mesmo tão menos grave do que os mandantes dos atentados. Os traficantes matam por uma questão de sobrevivência – e não os estou defendendo, em hipótese alguma -, o imbecil da classe média quase passa por cima de uma mãe com o seu filho apenas porque estava com pressa. Enquanto a lei e a polícia não cair pesado nesses “pequenos delitos” , continuaremos a falar sobre o sexo dos anjos. Se tem tapa na cara e pé na porta na favela, tem que ter tb em Ipanema. Sem isso segurança pública no Rio virará utopia.
Parabéns pelo blog e já joguei minha âncora pq o assunto me interessa.
abração
Mas a gente lê tudo, tá pensando o quê? Somos seus fiéis leitores, rapá!!! Tb gostei de seu comentário sobre minha capacidade de concisão… Eu me acho tão prolixa às vezes…. Abração!!!
Cathalá, também dava tudo para assistir a uma entrevista dele ou de qualquer outro “especialista” em segurança pública no Roda Viva… Com aqueles jornalistas, acho difícil ficar pergunta sem resposta….
Como dizia um Caveira instrutor meu no Curso de Táticas Policiais (Ações Táticas do BOPE-RJ) tá uma FAROFA e cada vez mais aumenta mais essa FAROFA.
Quando há uma crise todo mundo corre pra TV com mil e uma maneiras de acabar com a violência ai o tempo vai passando, passando e nada. Ai vem outra crise maior ainda e a mesma coisa, a diferença é que as crises estão cada vem maiores, mais violentas, mais mortes e mais dificeis de resolver, ou seja a FAROFA só aumenta.
Caro amigo, continue dando-nos mostras do quanto és inteligente. São de Oficiais deste naipe que as Polícias Militares do Brasil precisam em seus quadros.
Andreia
Vc resumiu meu post em uma frase. É gratificante quando a gente percebe que o leitor entendeu a mensagem que queríamos passar. ;)
Tatico
Para aquilo ser um debate teria que ter mais de um especialista, como vc falou. Aquilo foi só uma entrevista, e concordo: fraca.
Po, aquela interrupção no “momento milícia” foi brincadeira!
Fala Teixeira!
Tá fazendo curso de que? E para melhorar o que?
O Zé chega, cheio de entusiasmo, fala, fala e não fala nada, rs
Abraço Zé!
Tenente Cathalá
É, tenho que dar um desconto. Não teve novidade para os mais informados, mas deve ter bastante gente mal informada ainda.
Só não acredito que o Fernando Mitre é um desinformado. Aquele tipo de pergunta foi claramente para ajudar o Luiz Eduardo Soares a deslanchar, iniciar o assunto com uma pergunta fácil. E também direcionado ao povo “mal informado”.
Me custa acreditar que ele não sabe que o botão não existe. Tenho certeza que sabe.
Julio Cesar,
Também é um prazer descobrir mais um companheiro do meio policial blogando.
Mas esclarecendo uma possível conclusão: aquelas não eram propostas minhas. Foram assuntos tratados na entrevista e conclusões do próprio entrevistado (Luiz Eduardo Soares).
Abraço!
Penso que exista o botão para resolver o problema. Ele está dentro do próprio estado, dentro da própria polícia. Quem terá a coragem de apertá-lo? Como cidadão desejo que o policial do meu estado tenha orgulho de pertencer a corporação. Não adianta apenas cobrar eficiência do policial, a sociedade deve dar retorno àqueles que desejam entrar para segurança pública. (Plano de Cargos e Salários digno, Hospital em condições, Plano de Moradia, planos educaionais, Creche, Batalhão aberto para comunidade realizar eventos, etc.) Acho que precisamos dar dignidade e segurança tanto aos policiais quanto para suas famílias. O policial deve pensar duas vezes em colaborar de alguma forma com o crime e perder a bela carreira que se apresenta. Hoje quais são as perpectivas desse profissional? Quando garoto conheci o orfanato da PM, só de lembrar me emociono. O hospital era uma maravilha. Hoje é tudo sucateado. Um absurdo. Está ai o botão mágico, não resolve nada a curto prazo, mas me daria esperança em viver numa sociedade mais equilibrada em segurança pública.
Bruna,
Para vc ter uma idéia, nem a Globo estou vendo. Mas confesso que, da Record, só tenho assistido Vidas Opostas, quando eu posso.
Po, queria ter visto!
Eu acredito piamente que a descriminalização das drogas faria o tráfico desmoronar, defendo abertamente essa bandeira, junto com a chamada Responsabilidade Pessoal e (como no caso do álcool) punição exemplar em caso de delito cometido sob efeito das mesmas.
Só que no Brasil eu pensaria 8 vezes antes de liberar geral. Esse pessoal iria simplesmente tomar um banho, botar uma roupa melhor e ir para a fila do SESI procurar emprego? Ou iriam tentar outra linha de crimes, como assaltos a bancos/residências, sequestros, etc?
EU ACHO que uma descriminalização de entorpecentes geraria uma onda de crimes como nunca antes visto.
Cardoso,
A tendência é essa. O usuário de drogas não corre mais o risco de ficar preso. Não existe mais pena restritiva de liberdade para usuários desde a lei nº 11.343 de 23ago2006. A tendência é tratarem o usuário como um “doentinho”, problema de saúde pública. Hoje a despenalização, e no futuro, quem sabe, a descriminalização.