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A fronteira entre o infantil e o adulto, o legal e o ilegal

Fez sucesso na Alemanha, deu o que falar no Brasil e agora a Receita Federal solicitou que os exemplares sejam retirados do mercado (grifo meu):

Foto do Jogo da Fronteira

Um jogo de blefe para dar muitas risadas!

O Jogo da Fronteira é divertido e engraçado para você jogar com os seus amigos. Blefe, negociação e estratégia serão fundamentais para você se tornar o comerciante mais bem sucedido da região!

Tudo se passa na divisa entre dois países. Pequenos comerciante atravessam periodicamente a fronteira para vender bananas, pandeiros e camisetas de futebol, mas de vez em quando, um deles esconde no meio do seu carregamento alguma mercadoria ilegal.

O trabalho do xerife será descobrir quem está contrabandeando e fazer prevalecer a lei. O contrabandista deverá pagar uma multa para o governo ou acertar sua dívida ali mesmo!

Indicado para crianças a partir de 9 anos

Regras do Jogo

Participantes: São até seis jogadores – um deles será o policial. Cada um ganha uma maleta e tenta atravessar a fronteira com produtos ilegais para vender por um preço acima da média.

Negociação: O jogador pode dizer que leva produtos como charutos e garrafas de tequila ou tentar corromper o guarda. O policial pode multar, aceitar a propina ou desviar a muamba para revendê-la.

Objetivo: A idéia é cruzar a fronteira para negociar os produtos. Quem conseguir acumular mais dinheiro, seja com a comercialização de objetos legais ou ilegais, vence a partida.

O jogo foi criado por, adivinhe, brasileiros.

Não vou estranhar se os comentários forem de descontentamento com a decisão de retirar o brinquedo das lojas. Ainda mais depois do caso Danielle Cicarelli (caiam aqui paraquedistas do Google! Parodiando o Lucas BiM =D), dirão “Censura!”, “é a volta ditadura!”, “bando de hipócritas”. Outros vão fazer igual ao Halaban (um dos criadores) e argumentarão que então o War (destruir exércitos e países) e o Banco imobiliário (levar seus adversários à falência) também teriam que sair das prateleiras. Não vou estranhar - principalmente se - o autor do comentário for brasileiro.

A lei ou a autoridade diz: não pode! Nós, brasileiros - que não desistimos nunca - sem constestarmos, agredirmos ou recusarmos a lei, conseguimos aquilo que desejávamos. Simplesmente damos o nosso famoso “jeitinho brasileiro”.

Propina? Não repita isso, isso é palavra feia. Substitua por: pagar uma taxinha de expediente, dar café do guarda, molhar a mão do “puliça”, pagar o pedágio, azeitar a situação, pôr “em banho maria”, quebra essa pra mim… não é mesmo?

O ilegal não é tão ilegal assim. É até legal para caramba fazer certas coisas ilegais. O brinquedinho aí é uma mostra do quão enrraigado isso está em nossa cultura.

No mínimo, isso atrapalha esforços como o Programa Nacional de Educação Fiscal, que tem por objetivo ensinar, inclusive nas escolas, noções de cidadania e da importância do cumprimento das leis.

Está na cara que isso não é um jogo indicado para crianças a partir de nove anos. Ou alguém acha que é?

About the Author

Alexandre de Sousa

É Policial Militar do Rio de Janeiro, no posto de Tenente. 24 anos de idade e 4 anos de carreira.

23 Responses to “ A fronteira entre o infantil e o adulto, o legal e o ilegal ”

  1. Concordo contigo de que não é indicado para crianças de nove anos, mas não precisa necessariamente ser retirado das prateleiras, é só alterar a classificação etária, pronto resolvido. O pai que quiser comprar para o filho abaixo da classificação, tem plena consciência do que está dando para o filho, e sabe muito bem educar seu filho.
    Vi, na TV uma reportagem disso, não concordo que retirar das prateleiras vai adiantar alguma coisa. A idéia do jogo é interessante =D me deu vontade de jogar.
    E o que vão fazer com os exemplares já comercializados?

    obs: Paraquedistas do Google, eu li por ai algum blog =D

  2. Lucas, você tocou em pontos importantes:

    1. a classificação etária tem que ser mudada.
    2. a importância dos pais no processo educativo do filho, que pode anular a influência do brinquedo.
    3. retirar das prateleiras criou polêmica, e polêmica dá audiência. O interesse no jogo só vai aumentar, como foi o vídeo da Danielle Cicarelli (que venham os paraquedistas do Google!).

    O jogo não é a causa de sermos o que somos. É a consequência.

    Mas sou a favor de recolherem os exemplares das lojas e só voltarem ao mercado como nova indicação de faixa etária.

  3. Não me surpreenderia se lançassem um que se chamasse “JOGO DA POLÍCIA”. Nele, os participantes - a partir de 8 anos, só para sacanear - poderiam utilizar-se, inclusive, do arrêgo, dos bingos, dos favores para promoções. E, quem descobrisse a caixinha do Comandante Geral da PM, ou do Chefe da Polícia Civil, estaria fora do jogo, por motivos “obscuros”.

    Parece engraçado, concordam? Mas não, é uma desgraça. Sou contra o JOGO DA FRONTEIRA.

    Sabe o que seria irônico? Se contrabandearem este jogo para o Paraguay.

  4. * Dá uma olhada no Blog que postei um artigo interessante sobre o COT da PF.

    Abraços.

  5. Meu único problema é a faixa etária. até uma certa idade os jogos precisam ser mais preto-e-branco. Toda criança brincou de polícia e ladrão, e ninguém virou ladrão por causa disso, embora muito provavelmente a televisão tenha feito muitas quererem ser polícia. (mas isso era no tempo de SWAT e outras séries menos cinzas).

    Em fase de formação esses jogos que criam uma situação ética nebulosa podem passar a mensagem errada. É preferível o exagero. Ninguém saiu atirando com rifles de plasma e BFG-9000 nos outros por causa do Doom e do Duke Nukem.

    Valorizar o “jeitinho” e a “esperteza”, por outro lado, não ajuda.

    Que façam um GTA-Brasil, mas não pra faixa de 9 anos.

  6. Cardoso,
    a diferença desse jogo com Doom e o Duken Nukem, que vc citou como exemplos, reside exatamente nisso que vc falou.

    O homicídio não é algo tão valorizado (ainda) em nossa sociedade quanto o jeitinho. Para o brasileiro, matar ainda é transgressão. Dar um “jeitinho” não.

  7. Dar um jeitinho faz parte da cultura do brasileiro (espero que aqueles jornalistas do jornal O Globo não postem este meu comentário sozinho, haha).

  8. Tatico,
    desde que eles divulguem os blogs, tá valendo rs.
    Nós corrigimos os textos deles em nossos posts e fica tudo certo.

  9. Pode apostar!

    * Não perde o programa da Band que vai proporcionar um debate sobre segurança pública. Vai movimentar os blogs amanhã!

  10. Entendi, vou me informar dos detalhes, por que é bem mais prático mesmo.

    Abraços

  11. Sei bem como é esse lance de “paraquedistas do Google”. Ontem postei algo sobre a Cicarelli no meu blog acerca do conflito com o YouTube e chuveram. Mas não foi bem do Google, foi do Technorati, ferramenta que eu coloquei no meu blog; o resultado foi um bocado de gringos, um monte de bandeirinha diferente que vi no meu tracking de visitantes do blog.

    Entrando agora na parte prática da coisa, eu concordo e vou além. No mês passado ouvi falar muito sobre a polêmica do boicote ao filme “Turistas” que retrata uma imagem fictícia do Brasil que existe com um acréscimo também fictício, o tráfico de órgãos. Fictício porque não deve ser visto como NADA além de uma obra de ficção, é um filme. Se fosse um documentário, aí sim, daria pra contestar.

    E ainda que seja uma obra de ficção, o filme retrata imagens que REALMENTE (na maioria das partes) retrata o Brasil: “Brasil é putaria, corrupção e crime”.
    Pois bem, querem o boicote. Ninguém admite que o Brasil tem um povo com carência nos seus valores. Valores éticos, valores morais, índole, são ítens que não se ensinam mais nas escolas e, pasme, na maioria das Igrejas, também não; nem precisaria acrescentar que nos lares a carência destes também se faz presente.

    Não tenho propriedade pra dizer até que ponto isso vai ser prejudicial falando de uma forma generalizada, o alcance que vai ter e os prejuízos éticos na educação das nossas crianças.

    Uma coisa eu sei: meu filho nunca vai jogar esse tipo de coisa; vai aprender em casa o que é ética, moral, honestidade; vou passar os valores que meu pai me passou, que foram muito fortes e não precisou nem usar a cinta. Usou exemplos, partindo dele. Se na sua maioridade quiser se desvirtuar, problema é dele. Mas na minha casa não entraria. E não discordo da decisão da Receita Federal em “boicotá-lo”, retirá-lo do mercado.

    O que é ruim, o que quebra quaisquer normas e, principalmente, os valores éticos de um país tão avacalhado com o câncer do “jeitinho”, precisa ser jogado fora.

    Ou então, teremos de ficar quietos quando os gringos tirarem uma com a nossa cara, mesmo que na ficção, dizendo que nossa inteligência desce na bunda enquanto nosso exemplo de moral sobe à Brasília.

  12. Becher,
    que ferramenta é essa do Technorati? Isto muito me interessa ;)

    Você falou do Turistas, a tentativa de boicote aumentou o interesse pelo filme (eu por exemplo quero ver). A Cicarelli, com sua tentativa de censura, também aumentou o interesse no seu vídeozinho da transa na praia (esse eu já vi). Temo que a medida da receita Federal aumente o interesse pelo jogo (esse eu não vou jogar pois não curto jogos de tabuleiro).

    Se o seu filho jogar Fronteira e tiver essa educação que vc promete para ele, os valores que vc vai passar anularão qualquer influência que o jogo possa ter. Mas não comprar uma coisa dessas para um filho é coisa de um bom pai.

    São 500 anos de jeitinho. Pelo menos hoje sabemos dessa marca na identidade nacional. Confio no futuro. O câncer será extirpado.

  13. Technorati é uma ferramenta de busca específica para Blogs.
    Tipo, eu posto algo sobre a Daniela Cicarelli, se alguém fizer uma pesquisa lá com o nome da moça, aparece o meu blog nos resultados. É automático.

    Site deles: http://www.technorati.com/

    Se tiver alguma dúvida de como instalá-lo, só dar um “grito”.

    []s

  14. Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh Danieeeeeeeeel! (Isso é um grito, rs)

    Eu sou cadastrado no Technorati, eu não entendi a parte de instalá-lo. Eu somente me cadastrei, em que consiste instalar?

  15. Tem um procedimento que você faz que se chama “Claim your Blog”. Você vai no site, loga nele, vai em Claim Your Blog e ele vai gerar um código. Chama-se “post claim”. Aí você cria um post no seu blog com um código que eles vão dar, e continue o procedimento. O mecanismo do Technorati vai acessar seu blog, ver o código lá, e terminar o processo.

    Depois, claro, pode deletar este post porque ninguém vai entender nada. O processo leva poucos minutos.

    Capice?

  16. Um acréscimo:
    Mas eu creio que você já deva ter feito isso, porque lá na busca do Technorati aparece teus posts, etc.

    Só achei interessante é que quando alguém linka você, ele também aparece lá no Technorati, caso os dois blogs (o linkador e o linkado) tenham technorati.
    E quando você me linkou não apareceu.

  17. Concordo que a educação dada pelos pais é muito mais importante que a influência do próprio jogo, seja ele GTA, Doom (joguei ambos), esse da Fronteira.

    Não gosto da solução de proibir a venda de algo, é muito radical, educar é a melhor solução sempre.

    Falando em Technorati tem também o BlogBlogs. E acho que instalar que o Daniel falou é configurar para dar ping toda vez que você postar algo novo.

  18. Daniel e O’Marin,
    então acho que está explicado porque meus posts aparecem no Technorati mas não apareço como “linkador”.

    É que eu pingo para o Technorati através do http://www.kping.com

    Vou instalar esse código do Technorati sim, vale a pena, pelo menos ele, que e o maior… sei lá o nome desse serviço, para blogs do mundo.

  19. Essa questão de jogos é mesmo complicada. Mas não dá para comparar, como alguém aqui já citou, a inocente brincadeira de polícia e ladrão (que poderia tranquilamente ser comparada a uma espécie de pique esconde, mas em grupo), com o tal Fronteiras, pelo requinte de ensinamentos ilegais contidos no referido jogo. Muitos jogos infantis são maneiras pelas quais mensagens são passadas às crianças, subliminarmente, contendo algum ensinamento. Nesse caso, totalmente amoral.
    Cade a Abrinq para se manifestar a respeito da criação deste jogo? Por curiosidade, visitei o site e descobri que há um Código de Ética e Conduta da Indústria de Brinquedos. Não postarei aqui, podem visitá-lo em: http://www.abrinq.com.br/index.cfm?conteudo_ID=38 .
    Mas me chamou a atenção o último item de nº 14):

    “14 - Apoiamos a criação de brinquedos que difundam a cultura nacional.”

    E agora, fica a pergunta: que cultura nacional está sendo difundida pelo jogo??? Muitos aqui já responderam: a cultura do jeitinho!!! Abaixo a cultura do jeitinho!!!

  20. Falou a professora Andreia!

    Olha o que eu achei nesse link que vc passou, para o CECIB:

    “13 - A prática comercial desleal de ganhar mercado via sonegação fiscal não será aceita e, deve ser combatida.”

    Que contradição!

    Se formos pensar bem, esse brinquedo difunde bem a cultura nacional. =P

  21. Pois é… Quando o presidente francês Charles de Gaulle disse: “O Brasil é um país que não deve ser levado à sério” todos caíram de pau…
    Mas às vezes, mediante as situações que ocorrem em nossas terras, fico pensando se De Gaulle não tem um pouco de razão….

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