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Que venham o Exército e a Força Nacional de Segurança

by Alexandre de Sousa on 06/01/2007

Toda vez que uma onda de violência atinge o Rio de Janeiro, uma série de discursos entram em pauta novamente para dar cabo aos problemas que assolam a segurança pública do Estado. Dentre eles, o de aumento de efetivo, o emprego do exército e – mais recentemente – o emprego da Força Nacional de Segurança.

Juntamente com os discursos, se levantam os críticos de plantão para torcerem o nariz e se posicionarem contra, pois “esta não é a solução”.

Ora, todos sabemos que esta não é a solução. Ou alguém acredita que isso vai acabar com a violência no Rio de janeiro?

Mas afinal qual é a solução? Você sabe? Eu não sei. Ninguém sabe qual é “a” solução. Em geral a gente sabe o que não é a solução. Mas a solução em si, do tipo “faz isso que é tiro e queda”, isso ninguém sabe dizer. Ou acha que sabe. Até porque não são soluções simplistas que vão resolver um problema complexo como o da segurança pública. Nós podemos até arriscar um conjunto de possíveis soluções, mas ainda assim não teremos certeza sobre sua eficácia, já que nunca foram implementadas.

O Exército é a solução? Não! Mas patrulhando as quadras próximas às suas unidades e emprestando seus helicópteros será muito bem vindo.

Os críticos dirão que ele não é treinado para isso. Mas se é uma questão de treinamento, a Polícia Militar pode prepará-los, assim como preparou a Força Nacional de Segurança. O efeito seria o mesmo do policiamento ostensivo já feito pela PM: presença de homens fardados e armados, coibindo atividades delituosas.

A Força Nacional de Segurança, embora seu emprego enseje uma série de problemas que têm passados desapercebidos, também será bem vinda.

Não são ideais como força de enfrentamento aos criminosos. Mas podem fazer bastante, dando suporte às operações locais e aumentando o patrulhamento em áreas sensíveis a ataques. Para enfrentamento de criminosos, os policiais militares locais, articulados com as outras unidades, conhecedores das áreas de confronto e com sua própria doutrina e experiência seriam os mais adequados.

Um aumento de efetivo também é bem vindo. Não sei como a ONU chegou a esse número, mas ela recomenda o índice de um policial a cada 250 habitantes (segundo o Tenente Cathalá, a ONU nunca confirmou esses números). Ora, a Polícia Militar tem um efetivo de 38 mil policiais e o Rio de Janeiro tem um população de aproximadamente 15 milhões de habitantes. Ou seja, no Estado do Rio de Janeiro há somente um policial para aproximadamente 400 habitantes.

Voltando às ressalvas:

* Nem a PM, nem a FNS e nem as Forças Armadas são onipresentes e não ocuparão permanentemente e de forma efetiva área nenhuma. Como bem lembrado pelo Tenente Cathalá, Bagdá tem 5,7 milhões de habitantes, pouco mais da metade da população da metrópole do Rio e é ocupada pelo sedizente melhor exército do mundo. E olha só como está aquilo lá.

* O emprego do Exército e da FSN não deve somente objetivar a melhoria da sensação de segurança da população. Se tudo não passar de cenografia para inglês (e carioca) ver, a sensação de segurança irá pelo ralo e o governo estadual entrará em descrédito, logo nos primeiros dias. Todo esse esforço tem que obrigatoriamente resultar em redução significativa e controle das atividades criminosas.

* O crime organizado se combate com sistemas e operações de inteligência. De nada adiantará a integração do governo estadual e federal no envio de tropas, se as agências de inteligência de ambas as esferas não estiverem igualmente integradas.

Contudo, isso não é motivo para não desejarmos o emprego das tropas federais. Nós nem mesmo estamos em condições de recusar ajuda.

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{ 14 comments… read them below or add one }

1 Cathalá 6 January, 2007 at 2:14 AM

De onde o amigo tirou esse n° de 250 habitantes para cada PM “recomendado pela ONU”?

Eu estou há alguns anos tentando descobrir se existe realmente esse n° recomendado e alguns e-mails já me foram respondidos pela ONU, informando que não existe esse n° recomendado. Talvez eu não tenha perguntado no órgão correto, pois a ONU é cheia de tentáculos e nunca se sabe qual o organismo correto para cada quesionamento.

Informe a fonte disso aí, por favor, pois me será muito útil.

Abraço e boa sorte aí no “combate”.

2 Cathalá 6 January, 2007 at 2:15 AM

Ah sim….
Sobre a inconstitucionalidade da FN, dê uma olhada em: http://www.jusmilitaris.com.br/?secao=doutrina&cat=7

3 Alexandre de Sousa 6 January, 2007 at 2:44 AM

Tenente Cathalá,

Basta procurar por: 250 habitantes onu policial no Google para achar o monte de sites que citam isso. Quer dizer que não é verdade? Putz, e eu ajudando a perpetuar o mito.

Nesse artigo que o sr. me passou é citado o Coronel José Vicente da Silva Filho:

“pesquisador do Instituto Fernand Brandel de Economia Mundial, defende a criação de um órgão policial de elite capaz de atuar em ‘crises de ordem pública’, mas não apóia a Força Nacional de Segurança Pública”.

Ele é o autor desse outro artigo anti-FNS:
http://www.jornaldedebates.ig.com.br/index.aspx?cnt_id=15&art_id=5485

Quem vai fazer o IPM? E sob qual regulamento disciplinar eles estarão? Xiiii…

4 MARCUS TEIXEIRA 6 January, 2007 at 1:46 PM

SEU TEXTO FOI MAIS UMA VEZ NOTA 10.
SOU TEU FÃ ZÉ.

5 Roger 6 January, 2007 at 1:50 PM

Estamos em momento de profunda mudança no conceito de segurança pública. Sinto-me privilegiado por vivenciar isso e ao mesmo tempo frustado em saber que os responsáveis pelas mudanças nunca puxaram um plantão em uma delegacia ou trocaram tiros com crianças viciadas no morro.

Mas apesar de tudo, é gratificante perceber que ainda existem polciais concientes de seus papéis na sociedade e que, de um jeito ou de outro, fazem serem ouvidos.

6 TIGRE NEGRO 6 January, 2007 at 3:51 PM

o viés político infelizmente influi neste “socorro” pedido pelo atual governador ao gov. federal.Só o diabo sabe do alcance dos acordos feitos
a partir do envio da FNS ao Rio. Como falou O Cel. Hudson, se a PM trei-
nou estes militares, como podem fazer uma repressão + eficaz q nossos
próprios policiais? Novamente nossa gloriosa PM é humilhada por estes
governadores que vivem de verniz. Imagino como voces PMs se sentem
estando envolvidos diretamente neste processo, considerados(0 que abso-
lutamente não são), os incapazes nos épisódios.
Panis et circus; infelizmente nosso povo ainda vive incluso nesta definição
romana que retrata a ignorância social.

7 TEN BARRIM 6 January, 2007 at 8:03 PM

Grande De Sousa, a tendencia é essa! A integração entre os orgãos de segurança, tanto FFAA quanto policiais. O que, se eu fosse Secretario de Segurança Publica, gostaria mesmo, e de ter acesso integral às informações que a inteligencia do EB possui, assim como sua logística.

8 Lucas 7 January, 2007 at 2:23 AM

Mais um bom post. Parabéns!

9 junior 7 January, 2007 at 11:41 AM

Alexandre, é meu primeiro comentário em seu blog, gostei bastante dos seus textos e da maneira como aborda os problemas de segurança pública. Esse texto em especial está bem equilibrado e elucidativo.
Tens razão sobre o aumento do efetivo, e temos exemplos da eficiência da medida pelo mundo todo, para citar um bem conhecido, na cidade de NY uns dos (mas não só esse) motivos apontados para a queda de mais de 40% nos índices de criminalidade nos anos 90 foi a explosão (no sentido de crescimento, rss) do efetivo promovida pelo Bill Bratton.
Um grande abraço amigão

10 Andreia 7 January, 2007 at 11:50 AM

É o que vc falou; e em resumo: pode não resolver, mas tb não atrapalha…. Abração

11 Paulo1911 7 January, 2007 at 1:44 PM

Comandar não é sómente fazer-se obedecer, é acima de tudo exercer uma autoridade moral da ordem mais elevada. Quando um Estado vive desprovido de autoridade moral, então…a criminalidade é um problema maior.

O que de preferencia convém castigar é a má vontade. No momento em que ela se denuncie é indespensável corrigi-la exemplarmente. Mas quem corrige o Estado?
Um grande abraço, desde Portugal
Paulo

12 Alexandre de Sousa 7 January, 2007 at 12:53 PM

Andreia, invejei sua capacidade de concisão agora!

13 Milton 7 January, 2007 at 7:36 PM

cara,
para mim a única solução para o rio é o governo fazer um acordo com os bandidos para os próprios bandidos coibirem assaltos, furtos, sequestros etc.

poderiam aliviar o combate militar ao tráfico (que é uma estupides monumental e mata mais policiais e inocentes do que o próprio uso de drogas) e investir mais em campanhas educativas principalmente nas escolas.

a verdade é que a situação chegou no ponto que chegou porque o traficante dá oque o governo não dá: um meio de sustento, proteção para os moradores da favela além de diversos favores que resolvem efetivamente os problemas dos moradores.

14 Alexandre de Sousa 7 January, 2007 at 7:58 PM

Milton,
não consegui achar uma frase sequer que eu possa concordar. Não concordo com nada do que vc disse.

“única solução para o rio é o governo fazer um acordo com os bandidos para os próprios bandidos coibirem assaltos, furtos, sequestros etc.”

Como que um absurdo desses, o governo fazer “acordo” com bandido para reprimir a bandidagem, poderia dar certo?!

“poderiam aliviar o combate militar ao tráfico [...] e investir mais em campanhas educativas principalmente nas escolas.”

Deixa eu ver se eu entedi. É só deixar os bandidos fazendo o papel de polícia, coibindo a criminalidade, e deixar o tráfico correr solto, sem combate a ele? E fazer campanhas educativas, claro.

Meu Deus, se essa é a “única solução” o Rio de Janeiro já era!

“a situação chegou no ponto que chegou porque o traficante dá oque o governo não dá: um meio de sustento, proteção para os moradores da favela além de diversos favores que resolvem efetivamente os problemas dos moradores”

Quer dizer que o traficante dá meio de sustento? Proteção para os moradores? Favores que resolvem EFETIVAMENTE os problemas dos moradores?

Você está muito desinformado meu caro. Ou então não estamos falando do mesmo país, ou dos mesmo bandidos.

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