A segurança pública nos chavões dos discursos eleitoreiros
Afinal, quem discorda que a polícia, para combater bem o crime, tem que estar “organizada, informatizada, bem treinada e preparada, eficiente, bem remunerada, com melhores condições de trabalho”?
Ou que “é preciso uma integração entre as polícias civil, militar e federal, assim como a integração entre estado, prefeituras e governo federal”?
Ou ainda, que “deve-se agir nas fronteiras do estado, impedindo a entrada de armas e drogas”?
Alguém discorda que “a criminalidade nos morros é só a ponta do iceberg” e que “devemos agir contra os barões do tráfico”, com “inteligência e agindo pontualmente”?
Será que alguém teria coragem de negar que “o governo tem que atuar nas causas da criminalidade, como o desemprego, a desigualdade social, a carência na educação, etc.”?
Essas frases, que não cansam de ser repetidas pelos candidatos, nos leva a perguntar-nos: porque não foi feito antes? Se é só isso, porque nunca é feito? Vai saber!
Os discursos na área de segurança pública são recheados de chavões que nos mostram (como é de regra nos discursos eleitoreiros) o “como deveria ser”, mas nunca o “como será feito”, a ponto de um candidato a governador do estado ter como proposta, caso fosse eleito, um “choque de políticas públicas” para atuar nas causas da violência. Quer algo mais abstrato que isso? Um “choque de políticas públicas”!
E certos discursos me deixam especialmente preocupados. Quando um candidato fala da polícia agindo com inteligência, e de forma pontual, contra os “barões do narcotráfico” (pois estes seriam os “verdadeiros” traficantes) e nas fronteiras (pois é por lá que entram as armas e drogas) e não buscando o confronto com os criminosos nas comunidades carentes (pois estes seriam somente a “ponta do iceberg” e isto não combateria as “verdadeiras” causas da criminalidade), visualizo uma verdadeira era de laisse fair em nosso estado, com o narcotráfico se fortalecendo mais, a exemplo do que tivemos no governo Brizola.
Se o próximo governante não entrar sabedor do real quadro que encontra-se a segurança pública em nosso estado, que a situação transcendeu os níveis normais, e não enfrentar de frente essa situação, estaremos fadados às mesmas práticas, tão velhas quanto os discursos, contra uma criminalidade que há muito evoluiu.




Perfeito, assim como todos os textos escritos por você, sem dúvida um exemplo de policial e de pessoa. O seu blog deveria ser leitura recomendada a todos, principalmente àqueles que só sabem dizer “a PM não presta” ou “eu jamais iria querer que meu filho fosse PM”. Quando a mim, gostaria de dizer que todo esse ambiente me fascina, essa adrenalina me entorpece e mal posso contar os minutos para me tornar mais um a defender a honra e a justiça sob a farda da Polícia Militar…estou apenas esperando terminar a faculdade na UERJ e em 2007 estarei fazendo o vestibular para ingressar na turma Soberania de 2008. Até lá, seu blog será minha leitura diária e meu “inspirantômetro” (perdão pela quase paródia). Agora, sobre o texto, fico indignado com esses chavões utilizados, com essa mesma demagogia e hipocrisia dos governantes e candidatos. E no fim de tudo, a culpa é da Polícia. Agora criticam um dos candidatos por querer legalizar o aborto, mas se esquecem que a falta de controle de natalidade é uma das causas da violência urbana. Outros querem tirar o Caveirão das ruas, e deixar que policiais fiquem à mercê de traficantes quando estiverem em situações de risco. Não dá para aturar quieto essa situação. Espero que o povo se conscientize e dê uma “boa pensada” antes de votar. Abraço (futuro) companheiro de farda!
É notório e perturbador isso De Sousa. Como vc disse parece que pegaram algumas gravações de campanhas passadas e repetiram a mesma ladainha de sempre, ou pros militares de plantão, eles simplismente mandaram o cancerígeno: “sem alteração, abaixo transcreve”. Porque não propostas inteligentes, possíveis e importantes? Nem que seja uma única idéia nova.
Vou escrever bastantre esse fds, espero que vc tb! (mas isso não é cobrança) rs
Ferreira - 77 “Cegonhão Vem Aí”
Marcelo,
Obrigado pelo apoio ao blog e parabéns pelo lucidez quando não se deixa enganar pelos discursos escusos de demagogos.
Torço para que vc se torne meu de farda em 2008. Será bicho dos meus bichos!
Aguarde, nos próximos dias pretendo estar divulgando vários bizús para o vestibular da APM.
Abraço!
[...] Fala o óbvio. O especialista em segurança costuma ter soluções mágicas para solucionar o problema da segurança pública (bem semelhantes aos discursos eleitoreiros para o assunto). Por exemplo, o especialista em segurança deve afirmar que as autoridades policiais precisam “intensificar o policiamento preventivo” ou “investir em inteligência policial”. Quanto mais óbvia for a solução mágica, melhor será o efeito “como-ninguém-pensou-nisso-antes”. E obviamente, o especialista não precisa dar detalhes sobre como serão conseguidos os recursos humanos, materiais e financeiros, qual o impacto sobre o orçamento e outros problemas que “são meros detalhes técnicos”. [...]
[...] Não estou querendo me gabar não. E nem estou criticando o Luiz Eduardo Soares. Nem um, nem outro. Essas opiniões são gerais, que todos sabemos, mesmo que empiricamente. É aquele tipo de coisa que se encaixa perfeitamente nos discursos, mas que se não for levado à ação não serve de nada. [...]
policia para quem precisa policia para quem precisa de policia !!!!!!!!!!!!!!!!!!!