De professor a policial
Este artigo foi escrito por George L. Kirkham, que na época era professor assistente da Escola de criminologia da Universidade da Flórida e foi publicado em março de 1975 no Seleções Reader´s Digest.
No artigo o professor de criminologia conta como foi sair da sua “torre de marfim” e aprender coisas que só a rua pode ensinar. Ele conta algumas de suas experiências, desde o treinamento até o trabalho nas ruas.
Alguns trechos:
“Como professor de criminologia, tive problemas durante algum tempo, devido ao fato de que, como a maioria daqueles que escrevem livros sobre assuntos policiais, eu nunca fui policial. Contudo, alguns elementos da Comunidade Acadêmica Norte-Americana, tal como eu, foram muitas vezes demasiado precipitados ao apontar erros da nossa polícia. Dos incidentes que lemos nos jornais, formamos imagens estereotipadas, como as do policial violento, racista, venal ou incorreto. O que não vemos são os milhares de dedicados agentes da polícia, homens e mulheres, lutando e resolvemos problemas difíceis para preservar a nossa sociedade e aquilo que nos é mais caro.”
“Como professor universitário, eu estava habituado a ser tratado com respeito e deferência e, de certo modo, presumia que isso iria continuar assim em minhas novas funções. Agora, porém, estava aprendendo que meu distintivo e uniforme, longe de me protegerem do desrespeito, muitas vezes atuavam como um “imã” atraindo indivíduos que odiavam o que eu representava.
“Como professor, sempre procurava transmitir aos meus alunos a idéia de que era errado exagerar o exercício da autoridade, tomar decisões por outras pessoas ou nos basearmos em ordens e mandatos para executar qualquer tarefa. Como agente da polícia, porém, fui muitas vezes forçado a fazer exatamente isso. Encontrei indivíduos que confundiam gentileza com fraqueza - o que se tornava um convite à violência. Também encontrei homens, mulheres e crianças que, com medo ou em situações de desespero, procuravam auxílio e conselhos no homem uniformizado.
Cheguei a conclusão de que um abismo entre a forma como eu, sentado calmamente no meu gabinete com ar condicionado, conversava com o ladrão ou assaltante a mão armada, e a maneira como os patrulheiros encontraram esses homens - quando eles estão violentos, histéricos ou desesperados.
Esses agressores, que anteriormente me pareciam tão inocentes, inofensivos e arrependidos depois do crime cometido, agora, como agente da polícia, eu os encarava pela primeira vez como uma ameaça a minha segurança pessoal e à da nossa própria sociedade.”
“Em breve, comecei a sentir os efeitos daquela tensão diária a que estava sujeito. Fiquei doente e cansado de ser ofendido e atacado por criminosos que depois seriam quase sempre julgados por juízes benevolentes e por jurados dispostos a concederem aos delinqüentes uma “nova oportunidade”.
Como professor de criminologia, eu dispunha do tempo que queria para tomar decisões difíceis. Como policial, no entanto, era forçado a fazer escolhas críticas em questão de segundos (prender ou não prender, perseguir ou não perseguir), sempre com a incômoda certeza de que outros, aqueles que tinham tempo para analisar e pensar, estariam prontos para julgar e condenar aquilo que eu fizera ou aquilo que não tinha feito.
Como policial, muitas vezes fui forçado a resolver problemas humanos incomparavelmente mais difíceis do que aqueles que enfrentara para solucionar assuntos correcionais ou de sanidade mental: rixas familiares, neuroses, reações coletivas perigosas de grandes multidões, criminosos. Até então, estivera afastado de toda espécie de miséria humana que faz parte do dia-a-dia da vida de um policial.”
“O que faz um policial suportar o desrespeito, as restrições legais, as longas horas de serviço com baixo salário, o risco de ser assassinado ou ferido?
A única resposta que posso dar é baseada apenas na minha curta experiência como policial. Todas as coisas eu voltava para casa com um sentimento de satisfação e ter contribuído com algo para a sociedade - coisa que nenhuma outra tarefa me tinha dado até então.
Todo agente da polícia deve compreender que sua aptidão para fazer cumprir a lei, com a autoridade que ele representa, é a única “ponte” entre a civilização e o submundo dos fora da lei. De certo modo, essa convicção faz com que todo o resto (o desrespeito, o perigo, os aborrecimentos) mereça que se façam quaisquer sacrifícios.”



Muito bom esse post…faz com q nós (leigos no assunto) entendamos (um pouco)o q é ser policial.
E q os policiais ou futuros policiais leiam também, assim saberão a tarefa q têm pela frente, ou seja, só é policial quem gosta (ou pelo menos assim deveria ser).
Mentira…
Essa mentira não é desculpas…
Só é policial quem quer passar em concurso e mamar na teta do governo!
Além de ter poder para bater em pais de familias trabalhadores…
Matar marcola ningupem é macho para isso!
Roberto,
Em seu comentário vc falou de “alguns” policiais, e com razão. Infelizmente generalizou. Mas vou dar um desconto, afinal a intenção era de atacar, não é mesmo?
Embora o sr. ache que matando o Marcola os policiais estariam comprovando sua coragem, empenho e virilidade (foi essa a intenção da palavra “macho”?), a lei não permite matar o Marcola se não for em legítima defesa.
Saudações
Super interssante este artigo, sou PM e sei bem… a sociedade (a maoria), cidadãos que se intitulam “cidadãos de bem”, nunca estão satisfeitos, como já comentei em um blog, se algo der errado em uma ocorrência, somos culpados, se der tudo certo, fizemos somente nossa obrigação…nunca pensam que atrás dessa farda existe um ser humano, que merece respeito e que colocamos nossa vida em risco diariamente, e temos família. Querem proteção, mas em hipótese alguma concordam em serem revistados ou identificados em alguma barreira policial, mas infelizmente nao vem escrito na testa “sou criminoso”. Há também os que se aproximam do policial somente por interesse, sempre querendo ser beneficiado. Existe maus profissionais?…Infelizmente sim, como em todas as profissões…mas por favor nao vamos generalizar, quantas vezes já vi pessoas falando mal a toa, coisas sem fundamentos, ou que simplesmente ACHAM que é e já saem comentando, quando vai entrar na mente da sociedade e governantes que somos a base de tudo, merecemos ser mais valorizados….em todos os sentidos!!!
Lia - PM do RS